"Quero Um Livro" é resposta invariável à pergunta "O que queres para o Natal?", da minha família.:)
É também um blogue onde ponho em ordem as ideias sobre os livros que leio.
Já o arrumei na estante... Até podia melhorar, mas tenho a sensação de que não é um livro que vá passar do profundamente normal. É muito desinteressante este livro...
Confesso que, para além das vossas opiniões, contribuiu para a minha decisão o facto de ter lido que a Infanta acaba a por ingressar num convento, sem que a sua vida tenha muito mais para contar. Arrumado e, quando for esquecida a frustração de não o ter acabado, talvez vá para a lista doWinkingbooks. :)
Continuar ou não continuar a ler A Musa de Camões de Maria Helena Ventura, eis a questão que me atormenta desde as primeiras páginas.
A primeira parte do livro é estranha, não me identifico com a escrita complicada da escritora. Complicada no sentido de ser demasiado elaborada, cheia de palavras, que para mim são desnecessárias e não acrescentam beleza ao texto, apenas o deixam confuso e maçudo. Não sei se é por ela querer reforçar a ideia de época mas, a mim tem-me mantido pouco interessada. :/
Arrastei-me até à segunda parte na esperança que fosse um daqueles livros que mudam de narrador, em que houvesse uma alteração na forma como a história está ser contada, o que acontece, mas na realidade a minha impaciência tem-se mantido. Acho a história repetitiva, sempre a referir que a coitada da Infanta D. Maria tão culta e inteligente e bonita e boazinha que não se casa e vê a vida ser adiada pelos interesses do estado e boicote da família real, e o poeta Camões que talvez ande a escrever poemas para ela, como se atreve a olhar tão alto, para a irmã do Rei? E com isto estou a meio do livro e estes dois ainda não trocaram uma única palavra!!!
Continuar ou não continuar a leitura? Eis a questão?
Título original:Olhai os Lírios do Campo Ano da edição original: 1938 Autor: Erico VeríssimoEditora: Edição "Livros do Brasil"
"Eugénio Fontes, moço de origem humilde, a custo se forma médico e, graças a um casamento por interesse, ingressa na elite da sociedade. Nesse percurso, porém, é obrigado a virar as costas para a família, deixar de lado antigos ideais humanitários e abandonar a mulher que realmente ama. Sensível, comovente, Olhai os Lírios do Campo é um convite à reflexão sobre os valores autênticos da vida."
Olhai os Lírios do Campo é, como a sinopse diz, um convite à reflexão sobre os valores que realmente importam cultivar e passar às gerações futuras. É um livro sobre o amor e a influência que uma única pessoa pode ter na nossa vida, condicionando as nossas escolhas e tornando-nos, neste caso, melhores pessoas.
Eugénio cresceu numa família pobre, trabalhadora e humilde. Sempre foi um miúdo que se sentia de certa forma deslocado. Sentia vergonha do pai, que respeitava mas não amava, por este ser submisso e sem qualquer ambição. Nunca percebeu que para poder dar um futuro diferente aos filhos, ao pai de Eugénio não sobrava muito tempo para ambições próprias. A relação com a mãe, embora melhor não deixava de ser distante e, com o irmão Ernesto vivia num permanente conflito que acabou na saída deste de casa para nunca mais ninguém saber dele.
Eugénio cresce a querer ser médico para poder cuidar de gente como o pai, doente e sem condições para receber o melhor tratamento. Pretende melhorar a vida de toda a família. Quando se forma, Eugénio continua a querer melhorar a sua vida, mas já não inclui nos seus planos a família, da qual apenas lhe resta a mãe, nem tem qualquer pretensão de dedicar-se à medicina solidária.
Apaixonado por Olívia, acaba por se casar com Eunice por interesse, julgando vir a encontrar nessa união a felicidade e tudo aquilo que sempre sonhou.
Eugénio não é má pessoa, é covarde, sim, mas má pessoa não. Sofre de um complexo de inferioridade quase patológico e talvez venha daí a sua procura cega por uma vida diferente da dos pais. Uma vida submissa, de cabeça baixa, sentindo que não valiam nada, onde apenas existia espaço para o trabalho, sem direito a qualquer conforto ou bem-estar.
No entanto Eugénio não encontra a felicidade junto da riqueza, do luxo, das festas e das conversas cultas. É quando perde a pessoa que mais amou que ele se apercebe de que anda a desperdiçar a vida e decide mudar radicalmente de rumo. Eugénio encontra no trabalho honesto, na partilha com quem tem pouco, a humanidade que passou a vida toda a tentar afastar e encontra, finalmente, uma forma de ser feliz e, encontra sobretudo paz interior para poder apreciar tudo aquilo que na realidade sempre teve mas nunca soube apreciar. Finalmente pôde ser ele sem sentir pousados em si os olhos recriminatórios de uma sociedade à qual julgou querer pertencer.
Olhai os Lírios do Campo é um livro onde pouco ou nada acontece mas onde o pouco que acontece é muito e bastante para tornar este livro uma leitura obrigatória. :)
Confesso que estava à espera de outro tipo de livro. Do Erico Veríssimo apenas tinha lido o Um Certo Capitão Rodrigo - que faz parte da obra maior do autor, O Tempo e o Vento - já opinado aqui e, julguei que todos os livros dele seriam assim. Enganei-me mas não me senti enganada, antes pelo contrário. Gosto de autores que tenham a capacidade de escrever em vários registos e sempre com qualidade. E este é o caso de Erico Veríssimo, se não soubesse que os dois livros foram escritos pela mesma pessoa não teria forma de associar um ao outro. Viva a esquizofrenia dos escritores! :)
Recomendo como é evidente!
Boas leituras! ;)
Excerto: "Os seus pensamentos eram um tumulto. Ele e o cachorro - as duas figuras centrais do Mundo naquele momento. O cachorro era mais bonito, mais bem cuidado e mais feliz do que ele. Eugénio Fontes, menos do que um cachorro. Gente pobre. Vida de cachorro. Meu pai e eu: olhos de cachorro. Cachorro escorraçado. (...) Ele fora tratado como um negro. Não era ninguém. Valia menos do que as formigas que caminhavam ali em cima das lajes, carregando folhas e gravetos, menos do que as formigas que o cachorro do inglês agora procurava lamber com a língua húmida e vermelha."
"A odisseia de Homer Wells começa no meio dos pomares de macieiras do Maine rural. Sendo a mais velha das crianças do orfanato de St Cloud’s que não chegaram a ser adotadas, Homer estabelece uma amizade profunda e invulgar com Wilbur Larch, o fundador do orfanato - um homem de rara compaixão viciado em éter. O que Homer aprende com Wilbur leva-o desde a sua primeira aprendizagem de cirurgia no orfanato até uma vida adulta à frente de uma fábrica de sidra e a uma estranha relação com a mulher do seu melhor amigo."
Depois de ter editado A Última Noite em Twisted River (já na minha estante) a Civilização edita o magnífico As Regras da Casa da Sidra (The Cider House Rules). Espero que a Civilização, ou outra editora, continue a apostar neste escritor fantástico, mesmo que o preço final dos livros não seja muito convidativo.
Como já li este, em inglês (a minha opinião aqui) posso-vos dizer que vale o dinheiro. No entanto, se não têm dificuldades em ler em inglês podem sempre poupar uns euritos (valentes) e comprar uma edição original.
Nota: Não me entendo no site da Civilização... Não acho normal não encontrar qualquer referência a este livro lá. Se calhar sou eu que sou naba! :/
Título original:Code to Zero Ano da edição original: 2000 Autor: Ken Follett Tradução do Russo: Eugénia Antunes Editora: Casa das Letras
"1958: A Guerra Fria está no auge, os Soviéticos ultrapassam os Americanos nos primeiros passos da corrida para a conquista do espaço. Claude Lucas acorda, uma manhã, na Union State de Washington. Vestido com roupas de vagabundo, está afectado por uma amnésia que o impede de se recordar, entre outras coisas, do seu estatuto profissional. Acontece que ele é uma personagem central do próximo lançamento do Explorer I, um foguetão do exército dos EUA. Anthony Carroll, agente da CIA e velho amigo de Lucas, anda a seguir o caso. E convém-lhe que a amnésia não passe tão depressa…"
Bem, por muito que gostasse de dizer o contrário, a verdade é que, infelizmente não há muito a dizer acerca deste livro... A desilusão só não é enorme, porque a minha incapacidade de vibrar com policiais desculpa, em parte, a fraca qualidade do livro e, por isso a minha vontade de ler Os Pilares da Terra não foi muito afectada. Pode ser que Ken Follett seja bem melhor nos romances marcadamente históricos.
Ora bem... Este é um livro cuja acção decorre em 1958, em plena Guerra Fria, nas horas que antecedem o lançamento satélite Explorer I, o primeiro lançamento bem sucedido dos EUA, na sua guerra pelo espaço, contra a Rússia comunista. Claude Lucas é um cientista que trabalhou de perto para que este fosse um dia histórico para os EUA e que, uns dias antes do lançamento do satélite, acorda numa casa-de-banho de Union Station, com uma amnésia profunda. Não sabe quem é, como foi ali parar e, embora o espelho lhe devolva a imagem de um sem-abrigo Luke tem a certeza de que não pertence aquele lugar e àquela roupa.
Começa desta forma uma história que até prometia ser interessante. Estas páginas iniciais, onde aquele homem está confuso e frustrado por não saber nada acerca dele próprio foram as únicas que, de alguma forma, me prenderam a atenção. O resto do livro foi apenas um desenrolar de acontecimentos previsíveis, mal interligados, com personagens mal exploradas, superficiais, bidimensionais e que, por isso, não conseguiram despertar em mim qualquer empatia... A componente romântica da história está tão mal explorada que nem vontade de rir dá. As cenas/conversas que envolvem sexo são constrangedoras, despropositadas e não trazem qualquer mais-valia à história ou sequer permitem uma maior aproximação às personagens. Ainda não percebi porque é que há escritores que insistem em romancear quando não sabem como o fazer (sim, estou a lembra-me do José Rodrigues dos Santos e do seu inenarrável Tomás Noronha...).
Não me apetece sequer perder muito mais tempo a elaborar esta opinião. Não vale a pena.
No que toca a policiais, nunca irei dizer não leiam. O que posso dizer é que, para mim, foi claro desde muito cedo que este livro iria entrar na minha lista do Winkingbooks. Não me vai fazer confusão nenhuma vê-lo abandonar as minhas estantes em direcção às de alguém que talvez o saiba apreciar melhor.
Boas leituras! :)
Depois de ter resistido a colocar aqui um excerto de umas das cenas relacionadas com sexo aqui fica o primeiro parágrafo do livro. :)
Excerto: "Acordou sobressaltado. Pior que isso: estava aterrorizado. O coração batia-lhe apressadamente, arquejava e sentia o corpo retesado. Era como acordar de um pesadelo, embora sem a sensação de alívio que normalmente se lhe segue. Teve a intuição de que alguma coisa terrível lhe acontecera, mas não sabia o quê."
Título original:Duel Ano da edição original: 1891 Autor: Anton Tchékhov Tradução do Russo: Nina Guerra e Filipe Guerra Editora: Relógio D'Água
"O Duelo, de Anton Tchékhov, é uma novela narrada a partir do ponto de vista de diversas personagens reunidas no mesmo objectivo: esquecer os dias que perderam e aproveitar da melhor forma os que ainda têm para viver.Tchékhov coloca em confronto, numa pequena cidade do Cáucaso, um funcionário e a sua jovem mulher, um médico militar, um zoólogo de ideias radicais e um diácono dado ao riso. A história é contada através dos olhos de cada protagonista, conseguindo o leitor entender que qualquer um deles, independentemente da sua relação com os outros, procura apenas uma forma de escapar ao rotineiro dia-a-dia.É nesse ambiente que o ódio crescente entre o zoólogo e o funcionário culmina num duelo e este numa espécie de redenção. E quando o zoólogo deixa a cidade, as oscilações do seu barco são transformadas por Tchékhov numa metáfora da vida."
Gosto de Tchékhov. Gosto das histórias que ele conta e da forma como as conta. Gosto das personagens que cria e da forma como interagem umas com as outras. Gosto sobretudo da simplicidade com que ele expõe os dilemas das personagens. Portanto, volto a repetir: gosto de Tchékhov! :)
A história contada no O Duelo, passa-se numa pequena localidade do Cáucaso, onde os habitantes vivem a sua vida, sem grandes percalços e com a certeza de que o dia de amanhã será em tudo semelhante ao de hoje. A esta pequena localidade chegou, há uns anos, um jovem casal, vindo de S. Petersburgo: Laévski e Nadejda Fiódorovna. Ele é funcionário público e ela é casada com outro homem. ;) Laévski é um típico homem da sociedade que, embora tenha um cargo público, não se pode dizer que alguma vez tenha feito alguma coisa na vida. É o tipo de pessoa que desperta simpatias com facilidade, o que lhe permite viver mais ou menos às custas dos outros, endividando-se. É o tipo de pessoa que parece culta, que gosta de citar escritores e de encontrar pontos em comum entre a sua vida e a das personagens desses mesmo escritores. Vive um pouco deslumbrado consigo mesmo. É um bon vivant que, apaixonado pela jovem mulher de outro homem, não teve qualquer problema em cortejá-la e fugir com ela para os fins do mundo. A esta mesma localidade regressa todos os anos Von Koren, um zoólogo. Von Koren passa todos os anos uma longa temporada, supostamente a estudar a escassa biodiversidade da região. Regressa todos os anos com as suas ideias radicais acerca de tudo e de todos. É daquelas pessoas que apenas tem certezas e nunca se engana, cujas opiniões acerca de qualquer assunto estão mais que cimentadas sem qualquer margem para discussão. É, no entanto, uma personagem acarinhada por todos na pequena cidade. E parece gostar de todos, excepto de Laévski, que para ele personifica tudo aquilo que ele abomina. Odeia a sua forma de viver e odeia a forma como é tratado por todos.
Como é natural em alguém com a personalidade de Laévski, este acaba por ser aborrecer da vida pacata que é forçado a levar no remoto Cáucaso. Começa a olhar para Nadejda com enfado e o amor começa a desvanecer. Laévski torna-se então o tema de conversa de todos os que com ele privam, ao mesmo tempo que Laévski vive angustiado por não saber como, e se vai conseguir sair da situação em que meteu. Só von Koren não se compadece com os problemas de Laévski, no entanto, é ele quem, no final, acaba por lhe dar a solução, transformando-o num homem honesto e, deixando von Koren sem saber mais em que acreditar. Todas as suas convicções acabam fortemente abaladas.
Num livro em que, à primeira vista, nada acontece, é na escrita simples e nas personagens bem estruturadas que se encontram razões para querer continuar a leitura. No fim, como é óbvio, o livro é muito mais do que uma história moralista sobre os benefícios da honestidade na forma como vivemos a nossa vida. O tom empregue é divertido e descontraído mas, do que mais gostei foi mesmo das personagens. De todas sem grandes distinções.
Gostei bastante e, por isso, só posso recomendá-lo.
Boas leituras!
Excerto: " - Deixemos de falar nisto - disse o zoólogo. - Lembra-te apenas de uma coisa, Aleksandr Davíditch: a humanidade primitiva estava protegida dos indivíduos como o Laévski com a luta pela sobrevivência e a selecção natural; hoje, a cultura levou a um enfraquecimento considerável da luta pela sobrevivência e da selecção natural, e somos nós mesmos quem tem de tratar da liquidação dos débeis e dos imprestáveis, de outro modo, se os Laévski se multiplicarem, a civilização vai perecer e a humanidade ficará absolutamente degenerada. E a culpa será nossa"