Título original: Gei Wo Laoye Mai Yugan
Ano da edição original: 1990
Autor: Gao Xingjian
Tradução do francês: Carlos Aboim de Brito
Editora: Publicações Dom Quixote
Ano da edição original: 1990
Autor: Gao Xingjian
Tradução do francês: Carlos Aboim de Brito
Editora: Publicações Dom Quixote
"Com imenso talento, subtileza e inteligência, Gao Xingjian percorre, nestes seis inesquecíveis contos, os lugares da infância, as alegrias simples do amor e da amizade, os dramas da rua e as tragédias vividas pela China. Sorrisos e lágrimas atravessam esta leitura, que nos deixa o belo e suave sabor da emoção. A revelação de um dos maiores escritores chineses da actualidade."
Eis que, no espaço de um mês leio dois
prémios Nobel da literatura, Ivo Andrić e agora o Gao Xingjian, escritores dos
quais ainda não tinha lido nada. :)
Uma Cana de Pesca para o Meu Avô, é
uma colectânea de contos a transbordar de simplicidade, cultura
oriental e poesia.
Ao longo dos cinco contos que compõem
este pequeno livro, o escritor dá-nos a conhecer o amor, a amizade, a morte, a
saudade e a vida.
No primeiro conto, O Templo,
intromete-mo-nos na lua-de-mel de um casal jovem que transmite uma tal
serenidade na forma de se amarem e de estarem juntos, não só como casal, mas
também como amigos e companheiros que são, que só podemos sorrir durante a sua
leitura.
No segundo conto, O Acidente, passamos
da vida e do amor para a morte e um outro tipo de amor. Neste conto, um homem é atropelado
por um autocarro e morre. No local do acidente junta-se uma multidão perplexa e cheia de
opiniões, como só este tipo de desgraças consegue juntar. O fascínio que todos acabamos
por sentir, de uma forma ou de outra, por situações como esta é estranhíssimo,
inexplicável e, neste caso inconsequente, porque passadas apenas algumas horas
após o acidente, já todos seguiram com as suas vidas e no local do acidente já
nada nem ninguém recorda a vida que ali se perdeu.
O terceiro conto, A Cãibra, traz o tema do mar, que se repete nos contos que se seguem. Um rapaz nada no mar e sente uma cãibra, aflito para regressar a terra firme deseja que a rapariga que estava a tentar impressionar o tivesse visto entrar no mar e se aperceba da sua situação.
No quarto conto, Num Parque, conhecemos
um rapaz e uma rapariga que se reencontram ao fim de alguns anos. No passado
gostaram um do outro mas nunca deram o passo que levaria a relação mais além. A vida separa-os e, agora que se voltaram a encontrar, aquilo que
sentiam um pelo outro, embora intacto já não faz muito sentido. Ao longe, no
mesmo parque, observam uma rapariga que chora. Não a tentam consolar porque
de nada servirá, a dor é algo que faz parte da vida e da qual não se consegue
fugir.
O conto que dá nome ao livro, Uma Cana
de Pesca para o Meu Avô, é o mais extenso e aquele em que a escrita de Gao
Xingjian se torna mais apelativa e imaginativa. Um conto com um cheirinho
oriental e muito bom de se ler, cujo título resume bem aquilo de que trata. Um
homem jovem compra uma cana de pesca para o avô que não vê há muitos anos e de
quem sente muita falta. O conto narra a infância deste homem junto do avô que
lhe ensinou tanto. Uma história de saudade, de esquecimento e lembrança.
O último conto, intitulado
Instantâneos, não é bem um conto, mas sim, como o próprio nome indica,
instantâneos. A narração de alguns instantes nas vidas de várias personagens sendo possível perceber um fio condutor que os liga uns aos outros. O mar volta a ser uma referência
importante. Gostei bastante destes Instantâneos. :)
Gostei desta colecção de pequenas
histórias e da escrita de Gao Xingjian, poética e colorida.
Recomendo!
Boas leituras!!! :)
Excerto:
"A bola de sabão aumenta à medida que lhe sopram. À superfície, a água com sabão move-se cada vez mais depressa e, quanto mais a luz do sol se reflecte nela, mais brilhante e multicolor fica. Chegada ao ponto limite, desaparece sem ruído, revelando a cara espantada do rapazinho que a soprava."
Excerto:
"A bola de sabão aumenta à medida que lhe sopram. À superfície, a água com sabão move-se cada vez mais depressa e, quanto mais a luz do sol se reflecte nela, mais brilhante e multicolor fica. Chegada ao ponto limite, desaparece sem ruído, revelando a cara espantada do rapazinho que a soprava."







