Ano da edição original: 2022
Autor: Emily St. John Mandel
Tradução: Marta Mendonça
Autor: Emily St. John Mandel
Tradução: Marta Mendonça
Editora: Editorial Presença
Edwin St. Andrew tem 18 anos quando faz a travessia do Atlântico de barco. ao entrar na floresta, em pleno coração selvagem do Canadá, Edwin está deslumbrado, e eis que, de súbito, ouve o som de um violino ecoando num terminal de dirigíveis - uma experiência que o abala profundamente.
Dois séculos depois, Olive Llewellyn, uma autora famosa, faz a promoção do seu livro. Olive viaja por toda a Terra, mas a sua casa fica na segunda colónia lunar, um lugar de pedra branca, torres piramidais e beleza artificial. na história do seu romance bestseller, há uma estranha passagem: um homem toca violino e o som ecoa num corredor de um terminal de dirigíveis, enquanto as árvores da floresta rasgam o céu à sua volta.
Quando Gaspery-Jacques Roberts, um detetive da Cidade da Noite, é contratado para investigar uma anomalia, descobre uma série de vidas em suspenso: o filho exilado de um conde que enlouqueceu, uma escritora retida longe de casa devido à pandemia que assola a Terra e um amigo de infância, também da Cidade da Noite, que, como Gaspery, vislumbrou a oportunidade de fazer algo extraordinário que causará uma disrupção na linha de tempo do Universo.
Esta é uma história que se move entre o mais profundamente humano e terno e a mecânica do puzzle e do mistério - para nos levar numa viagem virtuosíssima, com o equilíbrio e a beleza a que Emily St. John Mandel já nos habituou.
Gostei bastante deste livro de ficção científica. Começo a achar que afinal até gosto deste universo literário.
Passa-se numa realidade em que a humanidade habita Luas, depois de a Terra ter sido utilizada até a exaustão e ter-se tornado um sítio pouco agradável para se viver.
Olive Llewellyn é uma escritora que viaja para a Terra para promover o seu último livro. Durante a tour de promoção, cruza-se com Gaspery, um homem misterioso que a questiona sobre um fenómeno que Olive experienciou, onde se viu, por momentos, projetada para uma outra realidade - num aeroporto onde um velhote tocava violino.
Gaspery desaparece, não sem antes a alertar para um acontecimento futuro, na Terra, que ela deverá evitar, caso contrário morrerá.
Num outro arco da história, Edwin St. Andrew, um jovem com 18 anos, dois séculos antes de Olive viver, atravessa o oceano Atlântico, rumo ao Canadá. Numa floresta isolada daquele país, vive uma experiência muito semelhante à que Olive viveu dois séculos depois. Vê-se num espaço desconhecido para ele, onde um velhote toca violino.
O que une estas duas pessoas? O que é que ambos experienciaram, de forma tão vívida e que não conseguem explicar? Quem é Gaspery e porque é que parece saber tudo o que vai acontecer?
É uma história muito bem escrita, com personagens cativantes. Gostei tanto que li como ebook mas já comprei o livro, em papel. Comprei este e o Estação Onze, também da Emily St. John Mandel. Acho que vai ser uma daquelas que vou querer ter por perto.
Recomendo sem qualquer reserva.
Boas leituras.
Excerto (pág. 37):
"Quando recupera os sentidos, está na praia, ajoelhado sobre pedregulhos, a vomitar. Tem a vaga memória de se ter debatido para sair da floresta, completamente cego de pânico, um pesadelo de sombras e verde desfocado, ramos a fustigarem-lhe a face. Levanta-se, trémulo, e aproxima-se da beira da água. Entra nela até aos joelhos - o choque do frio é maravilhoso, é o que lhe restituirá a sanidade mental - e ajoelha-se para lavar o vomitado do rosto e da camisa, mas é derrubado por uma onda, pelo que, quando por fim se põe de pé, está engasgado com água do mar e ensopado até aos ossos.
Agora está sozinho na praia, mas vê movimento entre os edifícios de Caiette, na meia distância. O padre a desaparecer no interior da igreja branca na coluna."

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