Mostrar mensagens com a etiqueta José Rodrigues dos Santos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Rodrigues dos Santos. Mostrar todas as mensagens

abril 30, 2010

Fúria Divina - José Rodrigues dos Santos

"Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA o historiador e criptanalista português, Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra.
6AYHAS1HA8RU
Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahemd e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo.
E se a Al-Qaeda tem a bomba atómica?
Baseando-se em informações verídicas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra, surpreendente como o mestre dos grandes temas contemporâneos. Mais do que um empolgante romance, Fúria Divina é um impressionante guia que nos orienta pelo labirinto do mundo e nos revela os tempos em que vivemos."

Mais um de leitura rápida, embora este seja consideravelmente maior que A Herança de Eszter (a minha opinião aqui). Infelizmente é maior, mas apenas no número de páginas. Não consigo dizer que não gostei, porque o tema chega a ser fascinante, mas a forma como está escrito não me agradou. No entanto li-o rápido por isso dizer que não gostei seria exagerado, mas está a anos luz do A Filha do Capitão (a minha opinião aqui), do mesmo autor.

Um dos objectivos do livro é mostrar ao leitor que os islamitas fundamentalistas são-o porque assim está escrito no Al-Corão, são-o porque Alá, através de Maomé, assim o mandou. Não ponho em questão esta informação, até porque ela é suportada por excertos do próprio Al-Corão e este, pelo que percebi, é muito claro relativamente às orientações que deixou aos seus fiéis. O que não gostei foi da repetição desta ideia e consequente explicação ao longo de todo o livro. A páginas tantas tive a sensação que o José Rodrigues dos Santos achava que os leitores eram burros ou de compreensão lenta de tal forma a coisa é repetida. Percebi à primeira, JRS! Ouviste, ou queres que repita durante 578 páginas??? Torna-se mesmo aborrecido e tenho a certeza de que o livro teria metade do tamanho, não fosse o JRS ter esta obsessão, esta e outras... :/
Também me deixou um bocadinho, como direi?, agastada que ele aproveite toda e qualquer oportunidade para mostrar aos leitores que fez um pesquisa profundíssima sobre o tema, pondo descrições exaustivas sobre tudo e mais alguma coisa, quer fosse sobre o islão, quer fosse sobre um qualquer programa informático fantástico da CIA. Por muito interessante que seja, mata o ritmo da história que já de si, não é propriamente grande coisa... :/
Custa-me, porque gostei muito do A Filha do Capitão, ter achado os diálogos vazios e as personagens sem grande textura e, sinceramente não me identifiquei com nenhuma delas, nem mesmo o português Tomás Noronha, aparentemente um Don Juan em potência. Achei interessante a fase da infância de Ahmed, mas quando ele é já um adulto fundamentalista achei-o infantil e com dúvidas existenciais demasiado forçadas, para que JRS pudesse mais uma vez dar-nos uma "lambidela" de cultura islâmica. O autor não soube fazer crescer Ahmed e ele pura e simplesmente deixou de me interessar. :/
JRS ao querer criar pretextos para nos elucidar sobre estes temas, torna a personagem da Rebecca no mínimo incompetente, porque é impossível uma agente da CIA não saber algumas das coisas que o Tomás Noronha acaba por lhe explicar. Uma "gaja" que trabalha para a CIA, que tem como função detectar na península ibérica movimentações suspeitas de radicais muçulmanos não pode ser tão ignorante, como JRS a faz parecer, sobre a história do Islão e sobre as razões que os levam a optarem pelo fundamentalismo. É simplesmente impossível e torna-a completamente acessória ao desenrolar da história e uma tentativa frustrada de nos fazer acreditar que Tomás e ela ainda vão andar aos beijos... :/

Apercebo-me, enquanto escrevo, de que na realidade não gostei do livro... :( A única coisa positiva que lhe encontro é o tema e o que aprendi com ele. A pesquisa que ele fez é de facto impressionante mas, acho que teria sido mais bem aproveitada de outra maneira. Mais valia o autor ter assumido isto como um ensaio, um livro de opinião, qualquer coisa menos um romance, porque não o é.
No A Filha do Capitão, ele conseguiu um equilíbrio eficaz entre os factos reais e a ficção. A linha entre os dois era ténue, às vezes passava-se para o lado do excesso mas nunca foi suficiente para matar o livro, porque a história principal era forte e aguentava bem com as intromissões da realidade. Em a Fúria Divina o JRS esqueceu-se de construir uma história sólida à volta da qual giraria o islão e os seus fundamentalismos.

Não posso deixar de salientar, no entanto, que o que li sobre o Islão me deixou de queixo caído. Não fazia ideia que o Al-Corão era tão violento, e com tão pouco espaço deixado para interpretações. Comparando com a Biblia, que pode ter várias interpretações pois está cheia de metáforas, escrita como se fosse uma espécie de fábula ou livro de contos, o Al-Corão é bem claro naquilo que diz e a bem da verdade, os verdadeiros crentes são mesmo os que o seguem à letra. Os verdadeiros muçulmanos são os que seguem e cumprem todas as orientações do Profeta. É uma ideia perturbadora e fiquei perplexa com a forma de pensar dos radicais e pelas razões que evocam para justificarem as suas acções. É demente... Felizmente não são uma maioria no mundo islâmico. Mas, a verdade é que é muito difícil prevenir as acções violentas de gente que acredita profundamente que a guerra aos infiéis é a única forma de cumprir os desígnios de Deus, que morrer no cumprimento das ordens de Alá é uma passagem garantida para o Paraíso. Esta gente não questiona o que lhes é dito, limita-se a cumprir o que um homem escreveu, usando o nome de Deus, no século VII. O mesmo se aplica a qualquer outra religião, não estou aqui a atacar o islão, até porque não sou crente em nenhum Deus ou Deuses, o que eu não sabia era que o Al-Corão era tão assumidamente desumano. O que me tranquiliza nisto tudo é a certeza de que é por serem desta forma que nunca chegarão onde desejam, que o islamismo seja a única religião no mundo inteiro. Há demasiada ignorância e atraso nestas atitudes para que os objectivos deles sejam cumpridos. Não podemos é andar encolhidos e cheios de medo e, não podemos ser tolerantes com quem não respeita os mais elementares direitos do Homem. Isto é válido para qualquer pessoa e qualquer religião.

Enfim, em jeito de conclusão, não tivesse eu lido A Filha do Capitão e acho que não voltaria a pegar noutro livro do JRS... Razão teve o amigo do meu mais-que-tudo que, quando o viu com este livro na mão para mo oferecer lhe disse: "Não deves gostar lá muito dela!" Razão tinha em relação ao livro porque, gostar de mim eu sei que gosta! ;)

Nota: O ex-operacional da Al-Qaeda, um tal de Paulo José de Almeida Santos aka Abdullah Yusuf é, para não dizer pior, um louco e por isso fiquei desconfortável por vê-lo, aqui, sentado ao lado do JRS na apresentação do livro. E, sinceramente duvido de que alguma vez tenha privado com Osama Bin Laden ou com a Al-Qaeda... Para mim não passa de um louco que tentou matar o Rei do Afeganistão exilado na Itália, em 1991, o que lhe proporcionou 8 aninhos numa cadeia italiana.

dezembro 25, 2009

Prendinhas de Natal

Este ano o Pai Natal foi generoso e trouxe-me uns quantos livrinhos. Livrinhos, salvo seja porque alguns estão mais para livrões que para livrinhos! :)

Oferecidos pelo meu mais que tudo:

Caim - José Saramago
"Pela fé, Abel ofereceu a deus um sacrifício melhor do que o de Caim. Por causa da sua fé, deus considerou-o seu amigo e aceitou com agrado as suas ofertas. E é pela fé que Abel, embora tenha morrido, ainda fala." (Hebreus, II,4)

Fúria Divina - José Rodrigues dos Santos
"Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o historiador e criptanalista Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra.
Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo."

Oferecidos pelos manos e cunhados:

A Sombra do que Fomos - Luís Sepúlveda
"Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militares de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local de encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal..."

O Planalto e a Estepe - Pepetela
"Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 60, em Moscovo, nasce um amor proibido.
Baseada em factos verídicos, ficcionados pelo autor, esta história põe em evidência a vacuidade de discursos ideológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Política internacional, guerra, solidariedade e amor, numa rota que liga a um ponto perdido de África a outro da Ásia, passando pela Europa e até por Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço, o de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez mais pequeno.
Maravilhoso e comovente, este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas as fronteiras."

2666 - Roberto Bolaño

"O que liga quatro germanistas europeus (unidos pela paixão física e pela paixão intelectual pela obra de Benno von Archimboldi) ao repórter afro-americano Oscar Fate, que viaja até ao México para fazer a cobertura de um combate de boxe? O que liga este último a Amalfitano, um professor de filosofia, melancólico e meio louco, que se instala com a filha, Rosa, na cidade fronteiriça de Santa Teresa? O que liga o forasteiro chileno à série de homicídios de contornos macabros que vitimam centenas de mulheres no deserto de Sonora? E o que liga Benno von Archimboldi, o secreto e misterioso escritor alemão do pós-guerra, a essas mulheres barbaramente violadas e assassinadas? 2666.
Para se ler sem rede, como num sonho em que percorremos um caminho que nos poderá levar a todos os lugares possíveis."




Oferecido a mim mesma:

A Caixa em Forma de Coração - Joe Hill
"Judas Coyne colecciona o macabro: um livro de receitas para canibais... uma corda usada num enforcamento... um filme snuff. Uma lenda do death metal de meia-idade, o seu gosto pelo bizarro é tão conhecido entre a sua legião de fãs como os excessos da sua juventude. Mas nada do que ele possui é tão inverosímil ou tão medonho como a sua última descoberta, um artigo à venda na Internet, uma coisa tão estranha que Jude não consegue resistir a pegar na carteira.
"Vendo" o fantasma do meu padrasto a quem fizer a licitação mais alta.
Por mil doláres, Jude tornar-se-à o orgulhoso dono do fato de um homem morto que se diz estar assombrado por um espírito inquieto. Ele não tem medo. Passara a vida a lidar com fantasmas - o fantasma de um pai violento, o fantasma das amantes que abandonara sem compaixão, o fantasma dos companheiros de banda que traíra. Que importância teria mais um? Mas o que a transportadora entrega à sua porta numa caixa preta em forma de coração não é um fantasma imaginário ou metafórico, não é um benigno motivo de conversa. É real."

À excepção do Roberto Bolaño e do Joe Hill (filho do Stephen King), são todos escritores que já li e que adoro.

O que fazer a tantos livros?! Lê-los, pois claro! ;)

outubro 15, 2009

A Filha do Capitão - José Rodrigues dos Santos


"O Capitão Afonso Brandão mudou a vida, quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu pernoitar num castelo perto de Armentiéres. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível.
Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando Alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva ara derrotar os aliados e ganhar a guerra e escolheu o vale de Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, encontrava-se o Corpo Expedicionário Português."

Vou abrir as hostilidades com este grande livro, não me estando a referir apenas às magníficas 629 páginas que o compõem. Ultimamente tenho tido algum azar com os livros que escolho para ler e A Filha do Capitão do José Rodrigues dos Santos foi definitivamente uma lufada de ar fresco. É o primeiro livro que leio deste jornalista/escritor. Já o admirava com jornalista e fiquei curiosa quando os livros dele começaram a surgir nas livrarias.

É de longe um livro como não lia há muito tempo. Muitíssimo bem escrito, com uma história de amor simples e bonita, muito ao estilo de Eça de Queirós, sem a fantástica ironia do mesmo e completamente contemporâneo. O que mais me surprendeu neste livro foi a envolvente histórica, a descrição quase perfeita de uma época, de costumes e mentalidades, como se o autor tivesse vivido nos fins do Séc. XIX, inícios do Séc. XX. Seria de esperar que tanto pormenor sobre a época em questão, que tanta descrição de factos históricos tornassem o livro maçador mas, isso não acontece. Antes pelo contrário, os factos são de tal forma integrados na ficção que tudo se conjuga de forma perfeita.

Com este livro, aprendi imenso sobre a história de Portugal, sobre a Instauração da Républica e da participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial. O porquê de termos entrado na guerra, a falta de condições dadas aos soldados, o quase abandono a que foram votados. Acho que é um livro que só poderá ser inteiramente compreendido por nós, portugueses, por vivermos diariamente num pais cheio de contradições e por vezes tão ingrato para quem o defende. Ao ler o livro, identificamo-nos muito com as personagens portuguesas, com as suas frustações, desesperos e desejos porque, embora tenham passado tantos anos, não somos assim tão diferentes como povo.

A sensação com que fiquei depois de acabar de o ler é que, é definitivamente um livro escrito por um português, sobre Portugal, porque ficamos com a sensação que os nossos avós poderiam ser uma das personagens do livro. As expressões usadas pelos soldados da Brigada do Minho, reforçam ainda mais essa sensação, são hilariantes!

Resumindo, vale a pena ler e fiquei com curiosidade para ler as outras obras dele, já cá tenho A Fórmula de Deus. A ver se é tão refrescante como A Filha do Capitão. :)