junho 21, 2012

Por Favor Não Matem a Cotovia - Harper Lee

Título original: To Kill a Mockingbird
Ano da edição original: 1960
Autor: Harper Lee
Tradução: Fernando Ferreira-Alves
Editora:Difel

"Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos os dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX."


Não sei por onde começar... Por um lado tenho imensas coisas para dizer, por outro, o que dizer sobre este livro fabuloso, emocionante e divertido? Harper Lee escreveu um único livro e, fê-lo tão bem, que ficou sem palavras, optando por não escrever mais nada.

A história passa-se numa pequena cidade do sul dos EUA, em Maycomb, nos anos 30, em plena Grande Depressão, no seio de uma comunidade conservadora e fechada. 
Scout Finch é uma menina de 7 anos, rebelde e maria-rapaz, é extremamente inteligente e possui uma inocência desarmante. O irmão, Jem, uns anitos mais velho é o seu companheiro inseparável de brincadeira. Juntamente com Dill, o rapaz que passa os Verões em casa da tia, vizinha dos Finch, formam um trio maravilha, cujas brincadeiras acabam muitas vezes em castigo. Um preço baixo a pagar pelo excesso de imaginação. :)
Atticus Finch é pai de Scout e Jem, viúvo e advogado, é um pai invulgar para a época, deixando as crianças mais ou menos à vontade e tratando-os sempre como seres inteligentes e capazes, e não como meras crianças. A relação deste com os filhos é fantástica porque, embora estes o tratem pelo nome, muito raramente o chamam de pai, o carinho que os une é indiscutível e notório. As personagens são, a par da história, um dos pontos mais fortes deste livro.

Quando Atticus é escolhido para defender em tribunal um negro acusado de violar uma jovem branca, a vida da família Finch sofre alguns percalços, com os habitantes de Maycomb a não tolerarem que Atticus trabalhe para os "pretos". Muitas destas pessoas admitem até a inocência do rapaz, no entanto nem lhes passa pela cabeça ilibá-lo do que quer que seja, nunca quando do outro lado está um branco, mesmo que um não muito estimado na comunidade.

São estas contradições, estes defeitos de carácter que Scout e Jem vão estranhando, ao longo de todo o processo, e questionando, uma vez que, na sua inocência de pessoas bem criadas, não conseguem perceber o conceito de racismo.
Por Favor Não Matem a Cotovia é um livro que mais do que tudo fala de respeito. Respeito pela diferença, respeito pelo espaço dos outros, pelas opiniões dos outros e respeito pelos mais velhos. O facto de não se focar apenas no racismo poderá ser umas das razões que o tem destacado, ao longo dos anos, de toda a literatura que existe sobre o tema. No entanto, acredito que é o tom despretensioso com que é escrito, onde nenhum ponto de vista é imposto, que o tornam na obra incontornável e actual que é. Quem ainda acredita que é na cor da pele que reside o nosso valor como seres humanos não se sentirá ofendido ou espicaçado com a leitura deste livro, no mínimo sentir-se-à envergonhado por nunca se ter apercebido de algo tão óbvio e de ter precisado que uma criança de 7 anos lho explicasse.

Para além dos temas mais ou menos pesados, o livro é naturalmente muito divertido pois, Scout, Jem e Dill são crianças maravilhosas. A leitura é muito fluída, não só porque a escrita é muito acessível mas porque as personagens estão todas muito bem desenvolvidas e a autora consegue manter-nos, enquanto leitores, sempre interessados na história.

Gostei muito e por isso, recomendo, sem quaisquer reservas.

Boas leituras!

Excerto:
"Tinha a sua própria visão das coisas, talvez bastante diferente da minha... filho, eu disse-te que se tu não tivesses perdido a cabeça, eu ter-te-ia mandado ler para ela na mesma. Queria que visses qualquer coisa nela...queria que visses o que é a verdadeira coragem, em vez de pensares que coragem é um homem com uma arma nas mãos. Coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim. Raramente se ganha, mas às vezes conseguimos. E Mrs. Dubose ganhou, do princípio ao fim, da cabeça aos pés. Segundo a sua visão das coisas, ela morreu livre e sem dever nada a ninguém. Era a pessoa mais corajosa que já conheci."

Nota: Existe pelo menos um filme baseado na obra de Harper Lee: "To Kill a Mockingbird". Fica aqui o trailer:

3 comentários:

  1. Olá!!!
    Interessante o que vc destacou, o tema o respeito. Independente da cor da pele fala de respeito. Quando a pessoa que ler vai se tocar de uma maneira que não se sinta ofendido...(caso a pessoa ainda ache que o valor de um ser humano se dá pela cor da pele).
    Já adquiri, aqui no Brasil é com o título O Sol é Para Todos, como o filme...
    O filme já assisti.
    Boas leituras N. Martins

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  2. Gostei deste artigo!

    Também terminei recentemente "Não Matem a Cotovia", de Harper Lee.

    http://numadeletra.com/13274.html

    Um abraço,
    numadeletra

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  3. Também gostei imenso deste livro e da sua apreciação.
    Também senti necessidade de descrever sobre ele e há tanto sobre que escrever.
    Almerinda Bento

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