Mostrar mensagens com a etiqueta Anton Tchékhov. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Anton Tchékhov. Mostrar todas as mensagens

fevereiro 21, 2012

[ebook] Ultimate Short Stories (Wattpad)

Ultimate Short Stories
Ultimamente tenho ponderado se devo ou não adquirir um e-reader ou um tablet que também me permita ler ebooks. A minha dúvida reside, preços à parte, na utilidade que poderei dar ao dispositivo. Os livros em português não são muitos, não leio assim tanto em inglês e os preços dos ebooks são ridículos (sendo politicamente correcta e pondo de parte a opção da pirataria). De dúvida em dúvida e enquanto não me decido, o telemóvel vai cumprindo também a função de e-reader. :) 
Recorrendo à aplicação Wattpad, que diz ser o youtube dos ebooks, deparei-me com esta colecção de contos, o ideal para ler no ecrã pequenino do telemóvel. Foi uma agradável surpresa e a descoberta  de alguns autores até então desconhecidos.

Desta colectânea fazem parte:

The Vendetta - Guy de Maupassant

Primeira incursão na escrita de Guy de Maupassant, autor sobejamente conhecido mas com o qual nunca me tinha cruzado.
O conto fala de vingança, como o próprio nome indica. Da vingança de uma mãe que perde o seu único filho e vê o culpado ser libertado e a continuar a sua vida como se nada fosse. Com a morte do filho a única companhia que lhe resta é o cão, companheiro inseparável do filho. Calmamente esta mãe prepara a sua vingança, seguindo o velho ditado de que a vingança deve ser servida fria. :)

História muito bem escrita e que me suscitou interesse pela obra do escritor.

The Telephone Call - Dorothy Parker

Uma mulher aguarda ansiosamente uma chamada de telefone que nunca chegará...
Os estados de espírito pelos quais esta mulher passa enquanto aguarda que o homem lhe ligue são angustiantes. Começa por pedir encarecidamente a Deus que ele ligue, passa para uma fase de fúria em que deseja a morte do rapaz e termina a rezar a Deus que lhe dê forças para não lhe ligar ela. 

Gostei! :)

A Haunted House - Virginia Woolf

Nunca li nada de Virginia Woolf e este conto foi portanto uma estreia com a escritora. Na realidade não percebi nada... e  por isso nem sei muito bem o que dizer quanto a ele, a não ser que não fiquei com especial vontade de voltar a ler alguma coisa de Virginia Woolf. :(

A Slander - Anton Tchékhov

Este é um conto bem divertido de como se geram os boatos. Muitas vezes, numa tentativa de justificar algo que não tem de ser justificado acabamos por, de certa forma, fazer com que os outros acreditem nos boatos e não no que dizemos. :) Enquanto lia, a banda sonora na minha cabeça era a "I Started a Joke", original dos Bee Gees embora na minha cabeça quem cantasse fosse o genial Mike Patton. :)

Mais uma vez Tchékhov não desilude.

The Monkey's Paw - W. W. Jacobs

Este conto é assustadoramente bom! 
A pata de um macaco, como amuleto, que tem o poder de conceder três desejos a quem a possuir. Todos sabemos que estas coisas raramente acabam bem, e este caso não é excepção. 

Está muitíssimo bem escrito. Mal acabei de o ler fui logo pesquisar este autor de quem nunca tinha ouvido falar. Nada traduzido para português, mas muita coisa disponível na internet, já sem os famigerados direitos de autor.

Gostei muito!

The Minister's Black Veil - Nathaniel Hawthorne

Um jovem padre começa, de um dia para o outro, a usar um véu preto que lhe cobre o rosto e que não tira nem no dia em que morre. Porquê? É o que toda a gente questiona...

É uma história engraçada. :)

The Fiddler - Herman Melville

Deste também gostei muito, pese embora o Moby Dick estar entre os poucos livros que não consegui ler até ao fim. Este pequeno conto de Herman Melville fala de um poeta frustrado e de um génio sem fama, aparentemente vulgar, que por isso mesmo é feliz. 

O escritor subiu uns pontos na minha consideração com este conto. :)

The Elephant's Child - Rudyard Kipling

Conto a puxar para a fábula do escritor que apenas conheço por ser o autor do O Livro da Selva, que nunca li mas, que à semelhança de muito boa gente conheço das muitas adaptações cinematográficas feitas até hoje.

Conta de uma forma muito original a origem da tromba do elefante, que teve origem numa cria de elefante possuidor de uma curiosidade insaciável.

Gostei bastante, tanto que estou a ponderar conhecer melhor o Mogli... ;)

The Baron of Grogzwig - Charles Dickens

Um barão que tem tudo, no dia em que perde quase tudo pensa em acabar com a sua vida. À semelhança do Scrooge, é visitado pelo espírito do suicídio que não está ali para o convencer a viver, mas para garantir de que ele se mata e sem perder muito tempo com o assunto. Será bem sucedido?

Apenas digo que, quando parece que não existe solução para os problemas que nos vão surgindo ao longo da vida, devemos fazer como o barão da conto de Dickens, parar para fumar um cigarro, beber um copo, olhar para as diversas opções dando maior importância às que são positivas e, tal como o barão, mandar o espírito do suicídio dar uma volta ao bilhar grande! :)


Ultimate Short Stories está disponível, gratuitamente, aqui:

setembro 13, 2011

O Duelo - Anton Tchékhov

Título original: Duel
Ano da edição original: 1891
Autor: Anton Tchékhov
Tradução do Russo: Nina Guerra e Filipe Guerra
Editora: Relógio D'Água

"O Duelo, de Anton Tchékhov, é uma novela narrada a partir do ponto de vista de diversas personagens reunidas no mesmo objectivo: esquecer os dias que perderam e aproveitar da melhor forma os que ainda têm para viver. Tchékhov coloca em confronto, numa pequena cidade do Cáucaso, um funcionário e a sua jovem mulher, um médico militar, um zoólogo de ideias radicais e um diácono dado ao riso. A história é contada através dos olhos de cada protagonista, conseguindo o leitor entender que qualquer um deles, independentemente da sua relação com os outros, procura apenas uma forma de escapar ao rotineiro dia-a-dia. É nesse ambiente que o ódio crescente entre o zoólogo e o funcionário culmina num duelo e este numa espécie de redenção. E quando o zoólogo deixa a cidade, as oscilações do seu barco são transformadas por Tchékhov numa metáfora da vida."

Gosto de Tchékhov. Gosto das histórias que ele conta e da forma como as conta. Gosto das personagens que cria e da forma como interagem umas com as outras. Gosto sobretudo da simplicidade com que ele expõe os dilemas das personagens. Portanto, volto a repetir: gosto de Tchékhov! :)

A história contada no O Duelo, passa-se numa pequena localidade do Cáucaso, onde os habitantes vivem a sua vida, sem grandes percalços e com a certeza de que o dia de amanhã será em tudo semelhante ao de hoje.
A esta pequena localidade chegou, há uns anos, um jovem casal, vindo de S. Petersburgo: Laévski e Nadejda Fiódorovna. Ele é funcionário público e ela é casada com outro homem. ;)
Laévski é um típico homem da sociedade que, embora tenha um cargo público, não se pode dizer que alguma vez tenha feito alguma coisa na vida. É o tipo de pessoa que desperta simpatias com facilidade, o que lhe permite viver mais ou menos às custas dos outros, endividando-se. É o tipo de pessoa que parece culta, que gosta de citar escritores e de encontrar pontos em comum entre a sua vida e a das personagens desses mesmo escritores. Vive um pouco deslumbrado consigo mesmo. É um bon vivant que, apaixonado pela jovem mulher de outro homem, não teve qualquer problema em cortejá-la e fugir com ela para os fins do mundo.
A esta mesma localidade regressa todos os anos Von Koren, um zoólogo. Von Koren passa todos os anos uma longa temporada, supostamente a estudar a escassa biodiversidade da região. Regressa todos os anos com as suas ideias radicais acerca de tudo e de todos. É daquelas pessoas que apenas tem certezas e nunca se engana, cujas opiniões acerca de qualquer assunto estão mais que cimentadas sem qualquer margem para discussão. É, no entanto, uma personagem acarinhada por todos na pequena cidade. E parece gostar de todos, excepto de Laévski, que para ele personifica tudo aquilo que ele abomina. Odeia a sua forma de viver e odeia a forma como é tratado por todos.

Como é natural em alguém com a personalidade de Laévski, este acaba por ser aborrecer da vida pacata que é forçado a levar no remoto Cáucaso. Começa a olhar para Nadejda com enfado e o amor começa a desvanecer. Laévski torna-se então o tema de conversa de todos os que com ele privam, ao mesmo tempo que Laévski vive angustiado por não saber como, e se vai conseguir sair da situação em que meteu.
Só von Koren não se compadece com os problemas de Laévski, no entanto, é ele quem, no final, acaba por lhe dar a solução, transformando-o num homem honesto e, deixando von Koren sem saber mais em que acreditar. Todas as suas convicções acabam fortemente abaladas.

Num livro em que, à primeira vista, nada acontece, é na escrita simples e nas personagens bem estruturadas que se encontram razões para querer continuar a leitura. No fim, como é óbvio, o livro é muito mais do que uma história moralista sobre os benefícios da honestidade na forma como vivemos a nossa vida. O tom empregue é divertido e descontraído mas, do que mais gostei foi mesmo das personagens. De todas sem grandes distinções.

Gostei bastante e, por isso, só posso recomendá-lo.

Boas leituras!

Excerto:
" - Deixemos de falar nisto - disse o zoólogo. - Lembra-te apenas de uma coisa, Aleksandr Davíditch: a humanidade primitiva estava protegida dos indivíduos como o Laévski com a luta pela sobrevivência e a selecção natural; hoje, a cultura levou a um enfraquecimento considerável da luta pela sobrevivência e da selecção natural, e somos nós mesmos quem tem de tratar da liquidação dos débeis e dos imprestáveis, de outro modo, se os Laévski se multiplicarem, a civilização vai perecer e a humanidade ficará absolutamente degenerada. E a culpa será nossa"

Saiu, em 2010, um filme baseado neste livro: Anton Chekhov's The Duel. Fica aqui o trailer:



julho 08, 2010

A Minha Mulher - Anton Tchékhov

"É na narrativa breve que o autor russo melhor transmite, através de retratos subtis da vida quotidiana, a sua visão ao mesmo tempo sombria e apaixonada da humanidade, revelando um conhecimento íntimo da alma russa, com as suas qualidade e defeitos, tal como se poderá comprovar com A Minha Mulher. Neste livro, a partir do olhar excessivamente presumido e crítico de Pavel Anndreievitch, abastado ex-funcionário no Ministério das Comunicações, e da relação fria e tensa que este mantém com a sua mulher, somos transportados para a Rússia profunda e rural do século XIX, com todos os seus problemas e conflitos. Uma obra magnífica, na qual se pode respirar o sentimento de desalento e impotência da sociedade russa face ao infortúnio do povo."

Bem, este foi mais que rápido a ser lido. Outra coisa não seria de esperar, dado o reduzido número de páginas que o compõem. Primeiro livro de Anton Tchekov que leio e posso dizer que não fugiu ao que eu estava à espera: escrita, história e personagens típicas da literatura, russa e não só, do século XIX. Eu até gosto desta época literária, mas este livro é tão pequenino que soube-me a pouco.

Pavel Anndreievitch vive na sua casa de campo, com Natália Gavrilovna, sua mulher. Cada um vive numa parte da casa, vivendo separados há já uns anos. Natália não suporta Pavel, demonstrando-lhe um ódio que Pavel não consegue compreender. Pavel vive sozinho e angustiado sem que consiga descortinar uma única razão para o seu desconforto interior. Quando recebe uma carta anónima pedindo-lhe que faça algo pela população empobrecida de uma localidade vizinha, sente-se entusiasmado pela ideia e, formula planos para organizar uma comissão de solidariedade que angarie os fundos necessários à causa e os distribua de forma justa. Quando expõe a sua ideia à mulher, descobre que esta já estava à muito empenhada no auxílio desta população, tendo inclusivé a tal comissão já formada. Pavel interroga-se sobre as razões que a levaram a exclui-lo. Natália explica-lhe então porque o despreza tanto: ele é egoísta, pouco flexível, desconfiado e com um temperamento difícil, que o inibe de manter relações cordiais com as outras pessoas. Depois do choque, Pavel sofre uma espécie de epifania, confessando a si mesmo que nunca deixou de amar a mulher e que está disposto a tudo para a recuperar, inclusivé mudar a sua personalidade e abdicar de toda a sua fortuna. A partir do momento em que ele sai do seu casulo, da sua zona de segurança e expande os seus horizontes, olhando com a mente aberta para o mundo à sua volta, a partir do momento em que deixa de julgar e criticar sem conhecer, essa mudança ocorre e Pavel torna-se numa melhor pessoa.

Basicamente o livro é isto, e tendo em conta o tamanho do mesmo não seria justo dizer que é pouco. Conseguir, em poucas páginas, transmitir tudo isto de forma convincente é de aplaudir. Mas sou uma confessa adepta de livros grandes, o que não me impediu de gostar deste pequeno grande livro do Tchekov, mas quando a pessoa já está embalada e a criar empatia com as personagens, o livro acaba. Isso deixa-me sempre um pouco frustrada.

Vou querer ler mais livros deste senhor, mas vou tentar que sejam colectâneas de textos, livros de contos ou romances maiores, porque assim sabe-me a muito pouco. :)

Boas leituras!

Nota: Porque é que é tão difícil chegarem a um consenso quanto à forma como se escrevem os nomes dos autores russos?! É assim tão difícil adoptarem todos a mesma grafia?! Credo que irritação isto me provoca... Tchekov ou Tchekhov ou ainda Chekhov? O mesmo se passa com o Tolstoi, ou será Tolstoy? E é Leon, Leo ou Liev? Mania parva de traduzirem nomes...