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maio 29, 2015

[ebook] O Mistério da Estrada de Sintra - Eça de Queirós e Ramalho Ortigão

Título original: O Mistério da Estrada de Sintra
Ano da edição original: 1884
Autores: Eça de Queirós e Ramalho Ortigão
Revisão: Bernardo de Brito e Cunha (Projeto Adamastor)

"Naquele que é justamente considerado o primeiro romance policial português, conta-se a história de um médico que regressa de Sintra acompanhado por um amigo. A meio do caminho, ambos são raptados por um grupo de mascarados, que os levam para um prédio isolado onde aparecera um homem morto. A partir daí, os acontecimentos sucedem-se em catadupa. Quem é o morto e quem o matou? E porquê? Quem era a mulher com quem ele se encontrava, e quem são os mascarados que pretendem proteger a sua honra? A história foi publicada no Diário de Notícias entre Julho e Setembro de 1870 sob a forma de cartas anónimas, e foram muitos os que se assustaram com os acontecimentos narrados. Só no final é que Eça de Queirós e Ramalho Ortigão admitiram tratar-se de uma brincadeira e que eram eles os autores das cartas. O Mistério da Estrada de Sintra foi publicado em forma de livro nesse mesmo ano. Em 1885, houve uma segunda edição revista por Eça de Queirós, que é a utilizada na presente edição."

Um regresso aos clássicos portugueses, com este O Mistério da Estrada de Sintra, escrito a duas mãos por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Este tem sido, ao longo dos anos, um daqueles livros que de vez em quando me vinha à cabeça como que a relembrar-me de que gostaria de o ler. Foi desta que me veio parar às mãos.

O Mistério da Estrada de Sintra é uma história típica da época, embora esteja longe de ser apenas uma história típica e previsível. É típica por ser uma historia de amores impossíveis, dramáticos e fatais e não é apenas uma história típica porque está envolta em mistério, com personagens menos óbvias e cenários inesperados.
O livro começa com a intercepção de dois amigos (muito parecidos com Eça e Ramalho), no caminho de Sintra para Lisboa, por um grupo de homens mascarados que não se identificam e que lhes pedem que os acompanhem. Onde?, não dizem. Os dois são vendados e elevados até uma casa isolada, que não conhecem e onde vão encontrar um homem morto... :) E mais não digo, porque o que mais me prendeu à leitura foi não saber nada sobre a história e todo o ambiente misterioso que os escritores conseguiram criar.
O que se passa com eles naquela casa leva a que um deles, quando sai, sem que tenha conseguido esclarecer o que lhe aconteceu e o porquê, decida escrever para um editor de jornal uma carta onde relata o que lhes aconteceu. A carta é publicada e alguns dos intervenientes na história manifestam-se, também por cartas, que vão sendo publicadas no jornal. É desta forma que vai sendo desvendado o mistério que levou aqueles homens àquela casa e o que os levou à estrada de Sintra para "raptarem" os dois amigos.

Até mais ou menos metade do livro, não fazia ideia do que estava por detrás do acontecimento misterioso que apanhou desprevenidos os nossos escritores na Estrada de Sintra. Gostei muito dessa vertente do livro e achei a história original e as personagens muito bem construídas e interessantes.

Recomendo como é natural!

Boas leituras!

Excerto:
"Demos alguns passos, subimos dois degraus de pedra, tomámos à direita e entrámos na escada. Era de madeira, íngreme e velha, coberta com um tapete estreito. Os degraus estavam desgastados pelos pés, eram ondeados na superfície e esbatidos e arredondados nas saliências primitivamente angulosas. Ao longo da parede, do meu lado, corria uma corda, que servia de corrimão; era de seda e denotava ao tacto pouco uso. Respirava-se um ar húmido, impregnado de exalações interiores dos prédios desabitados. Subimos oito ou dez degraus, tomámos à esquerda num patamar, subimos ainda outros degraus e parámos num primeiro andar.
Ninguém tinha proferido uma palavra, e havia o que quer que fosse de lúgubre neste silêncio que nos envolvia como uma nuvem de tristeza.
Ouvi então a nossa carruagem que se afastava, e senti uma opressão, uma espécie de sobressalto pueril.
Em seguida rangeu uma fechadura e transpusemos o limiar de uma porta, que foi outra vez fechada à chave depois de havermos entrado.
 - Podem tirar os lenços - disse-nos um dos nossos companheiros.
Descobri os olhos. Era noite."

janeiro 27, 2011

Contos - Eça de Queirós (parte III)

Chego ao fim deste livro de Contos do Eça de Queirós, com uma opinião melhor acerca de livros de contos. Começo a compreender as suas vantagens e a beleza que pode existir em pequenas histórias.

Ficam aqui os últimos textos deste livro:

A Aia:
Mais uma história triste... Um conto onde o Rei morre e o sucessor directo é o seu filho, um bebé com apenas alguns meses de vida. Naturalmente que irá surgir alguém que vai querer disputar o trono e a única maneira de o conseguir é matando o príncipe. Quando o castelo é atacado, no calor do momento, a aia do príncipe troca-o pelo seu próprio filho, também ele um bebé de meses e é este que acaba por morrer. Uma história triste, muito triste.

As Histórias: Frei Genebro:
Frei Genebro era um santo homem que na sua vida havia cometido apenas uma má acção. E mesmo essa acção cometeu com boas intenções, para ajudar um amigo em dificuldades, e nunca tomou verdadeira consciência do que tinha feito. Quando morre, já velhinho, no purgatório, a balança das boas e más acções que cometeu na sua vida equilibra-se. Aquela única acção igualou todas as coisas boas que fez ao longo de anos e anos de uma vida dedicada aos outros. No fim, Frei Genebro é repelido do Paraíso.
Lição a tirar: existem actos que não merecem perdão, principalmente aqueles que nem remorsos nos provocam por nem sequer conseguirmos apreender a enormidade do que acabámos de cometer.

O Defunto:
Uma história de amor, ciúme e milagres. :) Uma história que está muito bem escrita e que me fez prender a respiração durante toda a caminhada de D. Rui de Cardenas até ao Cabril, tal era a expectativa. :)

Adão e Eva no Paraíso:
"Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro, às duas horas da tarde... (...)Então, numa floresta muito cerrada e muito tenebrosa, certo Ser, desprendendo lentamente a garra do galho de árvore onde se empoleirara toda essa manhã de longos séculos, escorregou pelo tronco comido de hera, pousou as duas patas no solo que o musgo afofava, sobre as duas patas se formou com esforçada energia, e ficou erecto, e alargou os braços livres, e lançou um passo forte, e sentiu a sua dissemelhança da animalidade."
Eça conta aqui uma versão da história de Adão e Eva onde mistura muito bem a versão bíblica com a teoria da evolução. Gostei muito deste texto, principalmente porque, nesta versão, Eva come do fruto do Saber e é ela a responsável por humanizar Adão, que até aí pouco diferia dos outros animais no Paraíso. :)

A Perfeição:
Encontramos Ulisses na ilha Ogigia onde naufragou e foi acolhido pela Deusa Calipso. Há já sete longos anos que Ulisses, agora mais gordo e com mãos as macias, por nada ter de fazer a não ser satisfazer as vontades de Calipso, se encontra na ilha. Não tem meios para de lá sair e, a bem da verdade, falta-lhe também a autorização de Calipso. A Deusa pergunta-se porque haveria Ulisses de querer voltar para os braços da mortal Penélope? Ulisses explica-lhe que sete anos de perfeição é demais e anseia pela imperfeição da vida mortal. É com imensa alegria que Ulisses parte, numa jangada construída por ele, rumo à vida mortal, com todos os perigos que lhe são inerentes.

José Matias:
Uma história de amor que embora não tenha propriamente um final feliz - aparentemente Eça não é dos que gostam de terminar com o "Viveram Felizes para Sempre!" - tem o final que, no meio de tanto desencontro e más decisões, um dos protagonistas sentiu ser o final correcto. José Matias era homem sério, pouco dado a grandes sentimentos, até ao dia em que pousa a vista em Elisa. Elisa é sua vizinha e casada com Matos Miranda, um senhor com alguma idade e muito doente. Os dois mantêm uma relação puramente espiritual e durante 10 anos nunca trocaram um beijo sequer, trocando olhares e cartas por cima do muro que os separa. Quando Elisa fica viúva, José Matias parte para o Porto e recusa casar-se com Elisa. Porquê, só ele o saberá. Só ele saberá também porque continua a vigiar todos os passos de Elisa, mesmo depois de ela ter casado novamente, ter ficado viúva mais uma vez e ter tomando para amante, sem com ele casar, outro homem que não José Matias. Só ele saberá porque desgraçou a vida dele por amor de uma mulher que o amava de igual forma e que nunca deixou de o amar... Há pessoas que complicam e muito a vida! :)

O Suave Milagre e Um Milagre:
Dois contos que são uma versão ligeiramente diferente da que surge no conto Outro Amável Milagre (já comentado aqui).
Não sei porque decidiram incluir estes no livro, porque o Um Milagre é na sua essência igual ao final dos outros dois e, O Suave Milagre é algo que poderia ter sido acrescentado ao conto Outro Amável Milagre. Segundo nota no final do livro, estes três contos são três versões diferentes da mesma história, que Eça publicou em diferentes revistas e colectâneas da altura.


Nestes textos, surpreendeu-me o tema religioso estar tão presente, muitas das histórias eram sobre Jesus, porque nunca me tinha apercebido desse gosto por parte do Eça. Não foram esses contos os que mais me entusiasmaram, devo dizer, mas a escrita de Eça é sempre muito boa e até esses li com gosto.
É uma colectânea de textos que merecem ser lidos e por isso só posso recomendar a leitura dos mesmos. Destaco de entre todos estes os que mais me disseram: Memórias de uma Forca, A Catástrofe, Um Dia de Chuva, Civilização, O Defunto e Adão e Eva no Paraíso.

Boas leituras!

janeiro 25, 2011

Contos - Eça de Queirós (parte II)

Mais Contos de Eça de Queirós. Destaco A Catástrofe, texto tão certeiro no século XIX como nos nossos dias.

Sir Galahad:
Relato da demanda pelo Santo Graal de Sir Galahad, um dos cavaleiros da Távola Redonda do Rei Artur. Demanda que o leva a vaguear pela terra perseguindo o privilégio de segurar com as suas mãos mortais a taça por onde Jesus Cristo bebeu na última Ceia. Ao longa da jornada tumultuosa e solitária, encontra alguns do cavaleiros da Távola Redonda que também partiram na mesma demanda e dá por si, depois de atravessar um mar envolto de névoas, num mosteiro onde encontra a sepultura de Percival, Cavaleiro de Artur, sepultura esta com mais de vinte anos. Para onde foram todos esses anos que não recorda ter vivido?

A Catástrofe:
Não poderia ter lido este conto em melhor altura: rescaldo das eleições da abstenção e da indiferença.
Em A Catástrofe Eça apresenta o país invadido por um inimigo estrangeiro. Lisboa está ocupada e o protagonista vive angustiado com a sentinela inimiga que todos os dias vê, da sua janela, em frente ao Arsenal. O protagonista em retrospectiva encontra algumas das razões para o estado a que o país chegou: "Tínhamos caído numa indiferença, num cepticismo imbecil, num desdém de toda a ideia, numa repugnância de todo o esforço, numa anulação de toda a vontade...Estávamos caquécticos!"
O conto acaba deixando alguma esperança num futuro melhor, entregue nas mãos de uma geração que crescerá com o objectivo de recuperar a pátria pelo "caminho seguro (...): trabalhar, crer e, sendo pequenos pelo território, sermos grandes pela actividade, pela liberdade, pela ciência, pela coragem, pela força de alma (...) e a amar a Pátria, em vez de a desprezarem, como nós fizéramos outrora."

Evoluímos assim tão pouco, como país?
Muito bom este texto. :)

Um Poeta Lírico:
A história de Korriscosso, um poeta lírico grego que o narrador encontra a servir à mesa num hotel em Londres. Alma triste e angustiada que lhe desperta a curiosidade. Ama quem não o ama. Ama quem não tem a capacidade de compreender a profundidade da sua alma, mas ama mesmo assim... :)

No Moinho:
História triste esta... A mais bela rapariga da aldeia casa-se com o enfermiço João Coutinho para fugir à vida triste que até aí levara em casa dos pais. No entanto, a vida que a espera é a vida de um enfermeira, que cuida do marido entrevado e dos três filhos pouco saudáveis. Mãe e esposa extremosa, "toda a sua ambição era ver o seu pequeno mundo bem tratado e bem acarinhado", até ao dia em que Adrião aparece e ela se apercebe do que poderia ser a sua vida...
Triste, é verdade, mas a escrita de Eça torna-o meio irónico e por isso menos pesado.

Outro Amável Milagre:
Mais um texto religioso, onde a fama de milagreiro de Jesus começa a crescer. Todos os procuram mas só aqueles que o procuram de coração puro o conseguem encontrar.
Não sabia Eça tão religioso e estou a achar estranha esta inclinação... :)

Um Dia de Chuva:
José Ernesto vai à província conhecer a quinta que pretende comprar. Está farto de Lisboa, do seu cheiro a pó e da fútil vida que lá leva. Quando chega à quinta começa a chover, uma chuva que não pára e que não lhe permite conhecer o terreno e os arredores da casa. Uma chuva que deprime e que o deixa desgostoso. É no entanto por causa dessa chuva que se apaixona pela mulher com quem casará. Um amor que começou a crescer ainda antes de a ter conhecido. História bonita e muito bem escrita. :)

Enghelberto:
Enghelberto, senescal das Ilhas, príncipe da Escânia e senhor de Elfingor, também conhecido por O Cavaleiro de Estanho era um jovem violento, impiedoso e sanguinário que atormentava a vida dos seus súbditos. Esta é a história de Enghelberto. :)

Civilização:
Uma história acerca de um homem, Jacinto, supercivilizado, que vive na sua casa, o Jasmineiro, rodeado por toda a tecnologia disponível na época. Vive rodeado de livros e tem um biblioteca invejável. Porque se sente, então Jacinto tão aborrecido? Porque parece tão desligado do mundo e dos seus prazeres? A verdade é que Jacinto só vai aprender a beleza da vida quando parte para o seu solar em Torges. Isolado num sítio sem luxos, por ter estado abandonada a casa, Jacinto descobre a beleza da natureza, descobre as estrelas, a boa comida e a simplicidade das coisas importantes. Por lá fica e retornar à civilização é algo em que nem sequer pensa.

As Histórias: o Tesouro:
"Os três irmãos de Medranhos, Rui, Guanes e Rostabal, eram, em todo o reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados." Um dia estes irmãos encontram, na floresta uma arca cheia de moedas de ouro e a vida deles dá uma volta de 180º. ;)

Mais Contos numa terceira e última parte.

Boas leituras!

janeiro 23, 2011

Contos - Eça de Queirós (parte I)

Apercebi-me no outro dia de que nunca tinha lido este livro de Contos do Eça de Queirós. Tenho-o aqui em casa desde sempre, no entanto a minha menor inclinação para contos sempre adiou a sua leitura. Cheguei inclusive, a levá-lo para a escola, pois estudei nas aulas de português dois dos contos que fazem parte desta colectânea: A Aia e No Moinho. Nunca fui além disso e quando deixei de precisar dele para escola, voltou ao seu lugar nas estantes, entre A Cidade e as Serras e Prosas Bárbaras. Apercebi-me no outro dia que me apetecia ler Eça de Queirós e porque não um livro de contos?
Sendo os textos tão diversos um dos outros decidi que valia a pena falar de todos individualmente.

Ficam aqui os que li até agora.

O Réu Tadeu:
Tadeu Esteves é encontrado junto ao corpo de Simão. Simão é seu irmão e enforcou-se. Tadeu é preso pelo homicídio do irmão, e a única coisa que disse durante todo o julgamento foi que era culpado. Se é ou não culpado, não sabemos. Sendo um texto que está incompleto, o máximo que podemos fazer é, com a informação que os textos que Tadeu escreveu na cadeia, enquanto aguardava a execução da pena, morte por enforcamento, especular acerca do que realmente se passou. Tenho pena que este texto esteja incompleto pois deixou-me muito curiosa e gostei de o ler.

O Milhafre:
Eça de Queirós depois de dizer que "a literatura em Portugal está a agonizar", conta-nos uma fábula.
Numa casa arruinada havia um portal com um nicho onde um santo de pedra lia uma Bíblia de pedra, da qual não despegava os olhos. A excepção acontecia quando, à noite aparecia uma criança muito pobre que se deitava junto ao nicho. Aí, "o santo afastava um pouco o livro, e toda a noite ficava cobrindo com a grande luz dos seus olhos aquela criança miserável, adormecida sobre as lajes."
Na mesma casa arruinada, havia um crucifixo onde "sobre a cabeça e sobre os braços de Cristo havia teias de aranha: em baixo os ratos roíam-lhe a cruz." Um homem entra na casa arruinada e, compadecendo-se do estado em que se encontra o crucifixo prepara-se para limpá-lo, no entanto, o milhafre que lá se encontra pousado não deixa: "Deixa as aranhas, o pó, a caliça, os bichos, a neve, a geada, o apodrecimento. (...) Tudo o que ele criou, o amor, o ideal, o perdão, a fé, o pudor, a religião, Deus, todo aquele evangelho da vida nova, anda pelo mundo, tão degredado, tão coberto de bichos, tão imundo, como o seio desta imagem antiga."
Gostei muito deste conto, onde Eça de Queirós, pela voz do milhafre transparece alguma tristeza por o Homem ter morto a alma e o pensamento e cultivar o culto do corpo: "Oh, amigos íntimos dos vermes, como vós cuidais do corpo, e o laveis, e o amaciais, e o engordais - para a pastagem escura das covas."

O Senhor Diabo:
"O Diabo ao mesmo tempo tem uma tristeza imensa e doce. Tem talvez a nostalgia do Céu!" Assim é retratado o Senhor Diabo, uma criatura cuja existência não é a preto e branco, está antes cheia de todas as cores do arco-íris. Criatura que está mais perto do Homem que Deus.

Memórias de Uma Forca:
Neste conto conhecemos as memórias de uma forca, um carvalho que "desde pequeno fui triste e compassivo. (...) eu só queria o bem, o riso, a dilatação salutar das fibras e das almas." Um dia "um daqueles homens metálicos que fazem o tráfico da vegetação, veio arrancar-me à árvore". A Forca descreve a sua viagem angustiante até à cidade, sem saber que destino a aguardava. Quando percebeu que iria ser uma forca ficou "inerte, dissolvida na aflição (...) tinha enfim entrado na realidade pungente da vida. O meu Destino era matar."
Muito bonito este conto, escrito de uma forma que achei muito original.

A Morte de Jesus:
Mais um texto incompleto que não li todo. É o relato de Eliziel, capitão da polícia do Templo sobre a altura em que Jesus da Nazaré apareceu em Jerusalém e começou a ser conhecido como o Messias e Profeta. É um conto a dar para o comprido e o tema, demasiado religioso, com referências que não compreendo não me cativou.

Singularidades de Uma Rapariga Loura:
Um jovem pacato e reservado é um guarda-livros competente e responsável do armazém do seu tio. Um dia, numa janela do outro lado da rua, surge uma rapariga loura que prende a sua atenção e lhe rouba o coração. Apaixonado e cego de amor desvaloriza os pequenos incidentes que parecem ocorrer quando ela está por perto. Por causa dela, perde o emprego, vive na miséria, ganha algum dinheiro para o voltar a perder, recupera o emprego, pede-a em casamento e não casa com ela mas nunca a esquece. :) É uma boa história!

Mais dos Contos de Eça de Queirós nos próximos posts.

Boas leituras!