abril 13, 2011

Derrocada - Ricardo Menéndez Salmón

Título original: Derrumbe
Ano da edição original: 2008
Autor: Ricardo Menéndez Salmón
Tradução: Helena Pitta
Editora: Porto Editora

"Uma terrível ameaça recai sobre Promenadia, uma pacata cidade costeira. O Mal irrompe sob a forma de um assassino em série, que seduz vítimas e verdugos, actores e espectadores, transformando-se na sombra da comunidade. Os pilares de uma sociedade de escassos valores são infectados pela chaga do Terror - um prenúncio da derrocada - a que ninguém, nem mesmo Manila, o cismático polícia encarregado da investigação dos vários crimes, fica imune. Quem é vítima e quem é carrasco? Um homem perverso que não tem nada a perder; duas famílias que crêem ter perdido tudo; três jovens que encontram na violência uma forma de expulsar o tédio. Em Derrocada, a única justiça é o horror, a única vocação é a atracção pelo Mal."

Parti com algumas expectativas para este segundo volume da Trilogia do Mal de Ricardo Menéndez Salmón. Outra coisa não seria de esperar depois de ter sido surpreendida pela carga emocional de A Ofensa (opinião aqui), que gostei bastante de ler. Em Derrocada, embora o tema do Mal seja abordado de uma forma mais violenta e explícita, não me senti tão tocada e por isso o livro, para mim, está uns degraus abaixo do primeiro. :)

O livro está dividido em três partes que têm em comum, para além do Mal e do Medo, Manila, um polícia, pai de uma menina pequena e casado com Mara, grávida do segundo filho do casal.
Na primeira parte, Manila é integrado na força policial destacada para investigar uma série de mortes violentas que têm vindo a ocorrer. O assassino deixa junto a todas as vítimas um sapato da vítima anterior e mata, aparentemente de forma aleatória, sem qualquer razão aparente e de forma extremamente violenta. A narração vai alternando entre a descrição das mortes, a investigação dos crimes e na forma como Manila lida com o medo que um monstro como este provoca. Ricardo Menéndez Salmón explora aqui o medo de perdermos as pessoas que mais amamos de forma violenta e inesperada. Mas não se limita a explorar o medo, explora também a perda e todos os sentimentos que daí vêm. É talvez a parte do livro que mais custa a ler, por ser muitas vezes chocante e por lidar com sentimentos que todos nós podemos conceber.
Na segunda parte do livro três pessoas, disfarçadas de bobos, anunciam publicamente serem os responsáveis pela colocação das agulhas nos pacotes de leite que provocaram algumas mortes e ferimentos graves, sendo este apenas um dos muitos actos de Terror que pretendem levar a cabo. Porquê? Apenas e só porque o podem fazer, porque retiram prazer no medo das pessoas e porque isso lhes dá uma sensação de poder inigualável. Violência arbitrária e gratuita é o que temos aqui. Esta parte da história para mim não foi tão envolvente, não sei bem porquê, mas não a senti muito credível.
Na terceira e última parte, as duas histórias anteriores caminham paralelamente para um fim. É um desfecho feliz? Infeliz? Não sei, muitas vezes o que se tem não é uma coisa nem a outra, é apenas e só um desfecho, uma espécie de trégua ao sofrimento que se vive.

É um livro que pode ser chocante e desconfortável mas que, curiosamente a mim me deixou um pouco indiferente e, mais por isso do que pelo que ia lendo, me senti desconfortável. Porquê a indiferença numa leitura assim? Por um lado porque acho que a violência é algo tão presente no nosso dia-a-dia, principalmente através das notícias, mas também nos livros que lemos e nos filmes que vemos, que se torna mais difícil emocionarmos-nos com ela. E aperceber-me disso deixou-me desconfortável. No entanto, em minha defesa, que aparentemente corro o risco de me transformar num cubo de gelo, achei a escrita menos bem conseguida. Acho que o que me surpreendeu no A Ofensa foi o facto de a escrita ser mais subtil. Neste segundo volume o apelo ao sentimentalismo é mais notório e talvez por isso tenha ficado mais na defensiva. :)

O problema de RMS com os pontos finais persiste mas estranhamente, neste livro, fiquei até com a sensação de ideias sucintas, passadas através de frases curtas. Folheando o livro para tirar as teimas apercebo-me, agora e não durante a leitura, que RMS não tem meio termo, ora usa frases muito curtas, ora escreve autênticas teses entre um ponto final e o outro. Aparentemente neste as frases curtas devem estar em maioria.

É um livro que se lê num ápice e que nos mantém interessados até à última página e que faz uma reflexão muito interessante sobre o Mal, na sua forma mais pura e assustadora. Recomendo-o! ;)

Excerto:
"O mal encontra justificação na sua existência. O mal não precisa de prova ontológica, nem de redução ao absurdo, nem de fé ou de profetas. O mal é a sua própria expectativa.
A minha vida ensinou-me que é o bem que precisa de justificação. É o bem que precisa de um porquê, de uma causa, de um motivo. É o bem que, na realidade, constitui o mais profundo dos enigmas."

2 comentários:

  1. Caro Amigo/Amig@,

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