maio 01, 2012

Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia - J. Rentes de Carvalho

Título original: Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia
Ano de edição: 2011
Autor: J. Rentes de Carvalho
Editora: Quetzal Editores

"Uma paixão tórrida em Sevilha; a crueldade de um filantropo inglês; o crime passional de Bebé Almeida; uma fria manhã de Paris de 1955; o afamado bordel de Madame Blanche enquadram algumas das extraordinárias histórias que compõem Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, o mais recente livro de ficção de J. Rentes de Carvalho."


Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia estava nas minhas estantes, quieto e silencioso desde a Feira do Livro de Lisboa do ano passado. Finalmente pediu para ser lido e em boa hora o fez. Numa altura em que o tempo para ler não abunda, o melhor é mesmo ficar-me por escritores que já conheço e que tenho a certeza serem uma boa companhia. J. Rentes de Carvalho é assim, embora dele só tenha lido dois livros, A Amante Holandesa e Ernestina, já aqui comentados, a afinidade foi imediata e irreversível. É para mim um velho conhecido. :)

Os Lindos braços da Júlia da Farmácia é uma colectânea de pequenas histórias sobre os mais variados temas que, na maioria delas, o que têm em comum é o narrador, a familiaridade e a proximidade que transmitem. O narrador parece-se muito com J. Rentes de Carvalho, melhor dizendo, a vida do narrador parece-se muito com aquilo que conhecemos ser a vida de J. Rentes de Carvalho. É impossível não associar uma coisa à outra e, embora ficcionadas, muitas das histórias serão baseadas em factos reais.
As histórias falam de amores antigos, falam de encontros e de velhos amigos, falam da infância e das recordações que dela trazemos, falam da família e da terra, falam de aventuras e de histórias do dia-a-dia e falam de coisas tão simples como os lindos braços da Júlia da farmácia. Esta história que dá nome ao livro é a mais curta que nele encontramos e nada mais é do que um pequeno texto acerca dos braços magníficos da Júlia da farmácia e do fascínio que provocava num senhor de certa idade. :)

É-me difícil destacar uma ou outra história porque gostei de todas elas e, como são todas muito diferentes é complicado referir uma e não outra. No entanto, gostei particularmente da "Incêndio no Chiado" onde é notório o carinho que o autor tem por esta zona da capital e achei deliciosa a "No Barbeiro" onde o narrador recorda um episódio da infância.

Gosto muito da forma como J. Rentes de Carvalho escreve, de forma descontraída e bem-humorada, isto aliado ao facto de as histórias que conta serem sempre boas é a combinação perfeita para termos um livro dos bons.

Nunca é demais dizer que gosto de J. Rentes de Carvalho e, a cada livro que leio dele, gosto mais um bocadinho.

Recomendo!

Boas leituras!

Excerto:
"Segunda-feira de manhã, iluminados pelo sol, os escombros parecerem-me ainda mais terríveis e desesperados, ao mesmo tempo símbolo e sinal de mau agouro num país onde, mau grado a democracia recuperada, a vida da maioria continua a ser uma longa espera impotente e triste entre coisas que apodrecem e coisas que ardem."

5 comentários:

  1. Eu não costumo ler livros com várias histórias, mas fiquei intrigada com a forma como falas do autor.

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  2. addle: Também sou pouca dada a livros de contos/histórias mas, ultimamente, tenho tido boas surpresas. No que diz respeito ao J. Rentes de Carvalho acho que é realmente um autor que vale a pena conhecer, quer seja através deste livro, quer seja através de outros dele.

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  3. Fiquei bem impressionada com o comentário, pelo que será possivelmente uma das minhas próximas aquisições! :) Estou a gostar imenso da leitura do teu blog, muitos parabéns. Boas leituras com Paul Auster, um dos meus preferidos também :)

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  4. Cá chegado pela primeira vez, comecei logo por gostar da explicação do nome do blog. :)
    O resto pede tempo, é para acompanhar.

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  5. Denise e Carriço: Sejam bem-vindos! :)

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