dezembro 15, 2018

[Kindle] Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Título original: Fahrenheit 451
Ano da edição original: 1954
Autor: Ray Bradbury  

Editora: Harper Voyager


"Ray Bradbury’s internationally acclaimed novel Fahrenheit 451 is a masterwork of twentieth-century literature set in a bleak, dystopian future.
Guy Montag is a fireman. In his world, where television rules and literature is on the brink of extinction, firemen start fires rather than put them out. His job is to destroy the most illegal of commodities, the printed book, along with the houses in which they are hidden.
Montag never questions the destruction and ruin his actions produce, returning each day to his bland life and wife, Mildred, who spends all day with her television “family.” But then he meets an eccentric young neighbor, Clarisse, who introduces him to a past where people didn’t live in fear and to a present where one sees the world through the ideas in books instead of the mindless chatter of television.
When Mildred attempts suicide and Clarisse suddenly disappears, Montag begins to question everything he has ever known. He starts hiding books in his home, and when his pilfering is discovered, the fireman has to run for his life."

Este livro surgiu no meu horizonte quando li o livro de Afonso Cruz, Os Livros que Devoraram o Meu Pai (a minha opinião aqui). Fiquei curiosa com a ideia de uma sociedade onde os livros fossem proibidos. Quais os motivos de uma proibição dessas? E porquê todos os livros e não apenas aqueles que poderiam ser de alguma forma polémicos?

Num futuro não muito distante, vivemos numa sociedade onde a felicidade é uma espécie de obrigação. Tudo aquilo que pode, de certa forma, criar desconforto, discórdia ou ansiedade é simplesmente eliminado, proibido. Não existem motivos para não se ser feliz e se não te sentes como é suposto sentires, feliz e realizado, como é que lidas com isso? Como é que resolves algo que, para todos à tua volta, é uma impossibilidade, algo que simplesmente não entendem?
É uma sociedade onde todos os motivos que nos criam desconforto ou ansiedade foram eliminados, onde se pretende que todos sejamos iguais, nem melhores nem piores, simplesmente iguais. Criaturas com as mesmas necessidades, os mesmo gostos, com os mesmos comportamentos. Pessoas que não pensem, que não questionem, que não ambicionem algo diferente e apenas estejam focadas em divertirem-se. 
Numa sociedade assim, os livros são, naturalmente objectos perigosos. A sua existência pode potenciar a imaginação, permitir o acesso fácil ao conhecimento, são uma janela para o passado e uma ponte para o futuro. E é por isso que os livros nesta realidade distópica são proibidos.
Todos os livros que ainda existem são queimados e as pessoas que os escondem são presas, desaparecem e nunca mais são vistas.
Nesta realidade, cabe aos bombeiros, após denúncias, ir a casa das pessoas  e queimar todos os livros que encontrarem.
Guy Montag é um deles e desempenha a função sem questionar se a mesma é justa ou não. Não deixa, no entanto, de se sentir intrigado pelas razões que levam todas estas pessoas a arriscarem o conforto e a vida por causa dos livros. O que é que os livros têm de tão poderoso que faz com que tantas pessoas arrisquem tudo por eles?

Um dia, no regresso de mais um dia de trabalho, Montag conhece Clarisse, uma jovem rapariga que é diferente de todas as pessoas que conhece. É uma miúda sonhadora que, embora muito nova, parece de outro tempo e que lhe fala de como as coisas eram no passado. As conversas com Clarisse começam a despertar em Montag ideias e sentimentos que o levam a questionar tudo e todos à sua volta e levam-no a fazer o que, até então era impensável, esconder alguns dos livros que, supostamente deveria queimar, em sua casa. 

Não quero esmiuçar mais a história para não deixar aqui spoilers desnecessários, mas Montag acaba a lutar pela vida e por um par de livros de forma violenta e aparatosa. 
No fim, fica a esperança de que o mundo volte a ser um espaço de partilha de histórias, onde as pessoas possam ser livres de pensarem e fazerem o que quiserem e, onde possam sentir-se felizes, sem ser por decreto, e tristes quando isso fizer sentido. Um mundo onde não exista medo de sermos quem somos, diferentes, "normais", excêntricos, ambiciosos, resignados, simpáticos ou bestas. :) Existe espaço para todos e todos devem ser respeitados da mesma forma.

Gostei bastante do livro, pela história e pelo tema, mas também pela forma como é contada.

Recomendo sem qualquer reservas. Fiquei curiosa para ler outros livros de Ray Bradbury.

Boas leituras!


Excerto:
"We must all be alike. Not everyone born free and equal,as the Constitution says, but everyone made equal. Each man the image of every other; then all are happy, for there are no mountains to make them cower, to judge themselves against. So! A book is a loaded gun in the house next door. Burn it. Take the shot from the weapon. Breach man's mind. Who knows who might be the target of the well-read man? Me? I won't stomach them for a minute."

"Coloured people don't like Little Black Sambo. Burn it. White people don't feel good about Uncle Tom's Cabin. Burn it. Someone's written a book on tobacco ande cancer of the lungs? The cigarette people are weeping? Burn the book. Serenity, Montag. Peace, Montag. Take your fight outside. Better yet, into the incinerator. Funerals are unhappy and pagan? Eliminate them, too. Five minutes after a person is dead he's on the way to the Big Flue, the Incinerators serviced by helicopters all over the country. Ten minutes later after death a man's a speck of black dust. Let's not quibble over individuals with memoriams, Forget them. Burn them all, burn everything. Fire is bright and fire is clean,"

"Peace, Montag. Give the people contests they win by remembering the words to more popular songs or the names of state capitals or how much corn Iowa grew last year. Cram them full of non-combustible data, chock them so damned full of "facts" they feel stuffed, but absolutely "brilliant" with information. Then they'll feel they're thinking, they'll get a sense of motion without moving."

Entretanto saiu, este ano, um filme - Fahrenheit 451 - baseado neste livro: 

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