março 21, 2010

As primeiras leituras

Tenho alguma dificuldade em lembrar-me do meu primeiro livro. De uma forma ou de outra, os livros sempre estiveram presentes na minha vida, mas não consigo levar a minha memória para o dia e hora em que pela primeira vez folheei um livro. O que me levou a gostar tanto deles? Qual terá sido "o" livro que me levou a querer ler outro e mais outro e mais outro e... ? Não sei, o que sei é que existem uns quantos que me fizeram companhia enquanto crescia, alguns ainda os guardo, outros simplesmente desapareceram como num passo de mágica.

Os primeiros de que tenho memória são livros educativos, lembro-me de dois, um ensinava a ver as horas, o outro a fala dos animais. Ainda os guardo, conjuntamente com os livros da Lillibeth, da Anita e do Petzi (nham nham para as panquecas da Mãe Ursa). No entanto o que mais me marcou foi um que se chamava O Pequeno Polegar, li-o dezenas de vezes, sempre com a secreta esperança de que desta vez o Pequeno Polegar não fosse abandonado na floresta pelo pai. Tenho ainda na memória o Ogre, feio e assustador! Lembro-me também de ter alguma banda desenhada, da Mafaldinha, do Zé Carioca e da Disney. Hoje, a BD diz-me muito pouco...

Os primeiros livros que tinham mais texto que bonecos, se a memória não me falha, chamavam-se Uma Menina entre os Ladrões e A Filha do Sol e, eu devia ter uns 6 ou 7 anos, quando mos ofereceram. Espero que, nos esporádicos ataques de arrumação tenham sido salvos e colocados no caixote que está no sótão. Enquanto escrevo isto faço figas, porque não tenho certeza de que tenham sobrevivido à arrogância da adolescência... :s Um que sobreviveu, de certeza, porque estou a olhar para ele, foi A Princesinha, de Frances Burnett. Este nem bonecos tem... livro de gente crescida, portanto. :) Contava a história de Sara, uma criança deixada, pelo pai, num colégio para meninas gerido por uma mulher odiosa. Quando o pai morre, deixando-a sem familiares e sem dinheiro, Sara vai sofrer e muita nas mãos desta mulher. Triste, triste e triste... É claro que tudo acaba bem, mas a miúda sofre que se farta até vislumbrar um raio de sol.

Depois vieram os livros Uma Aventura, a incontornável Enid Blyton com Os Cinco e, os meus favoritos, Triângulo Jota. Lembro-me que a minha irmã tinha um da Suzy que eu adorava, não me lembro do nome, mas li-o mesmo muitas vezes... :p

Nos 7º e 8º anos tive como leituras obrigatórias A Pérola, do John Steinbeck, O Mundo em Que Vivi da Ilse Losa e O Velho e o Mar do Hemingway. Amei O Mundo em Que Vivi. Aliás aconselho a sua leitura a todos, petizes ou não petizes. :) Continuo a gostar muito deste livro... Na altura achei A Pérola um livro confuso e não gostei do O Velho e o Mar. Provavelmente não tinha maturidade para os perceber. Hoje adoro John Steinbeck e A Pérola. Quanto ao Hemingway, a sensação de desconforto manteve-se, embora tenha relido O Velho e o Mar.

Depois nós crescemos, os livros vão-se tornando maiores e mais complexos, mais adultos. Olhamos para eles de maneira diferente, tornamo-nos mais exigentes, analisamos cada frase e cada palavra, à procura de significados menos óbvios que, na maior parte da vezes não existem. No entanto, o que é comum às diferentes fases é o gosto pela leitura, é a ânsia de conhecer, através das histórias, outros mundos e outras pessoas. É o gosto pelo livro em si e pela companhia que nos faz quando não queremos companhia.
Alguns passaram-me ao lado, como o Princepezinho e a Alice no País das Maravilhas mas, a vantagem dos livros é que, regra geral, eles não vão a lado nenhum, esperam por nós até que estejamos preparados para pegar neles. Talvez daqui a uns anos pegue neles para uma leitura conjunta com as minhas sobrinhas. Quem sabe?

Para relembrar: Mistério Juvenil, de certeza que encontram aqui alguns dos que tanta companhia vos fizeram.

Boas leituras! :)

8 comentários:

  1. Eu comecei pelos livros de Os cinco, quando tinha sete anos, porque a minha irmã mais velha gostava de os ler. Depois fui lendo praticamente tudo o que apanhava, mas a alguns, só quando cresci um pouco mais, é que consegui apreciá-los (lembro-me por exemplo que aos 11 li Orgulho e Preconceito, prenda de aniversário e não gostei nada, pareceu-me que falavam demais, mas dois ou três anos depois, adorei o livro.

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  2. Revejo-me nesse facto de não saber qual o primeiro livro que li, ou sequer o livro que me fez gostar de ler.
    Nunca fui fã do "Uma aventura" ou de outros dentro desse género. Gostava da série "Arrepios", mas nem dessa cheguei a ler muito, confesso.
    Uma pena que não em lembro do que lia, embora me lembvre que lia, não tanto como agora, mas bastante.

    Adorei ler este post que trouxe recordações.

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  3. Existe mesmo uma idade ou, se calhar o mais acertado seja dizer que existe uma idade mental para podermos apreciar alguns livros.
    Nunca li Orgulho e Preconceito, estive com ele nas mãos tantas vezes, mas acabei sempre por trazer outro...

    Ana, talvez me lembre relativamente bem do que lia, porque não era possível comprar livros com frequência, apenas em aniversários ou Natal recebíamos um ou outro, e por isso não havia assim tanto livro disponível aqui em casa (excepção feita às obras de Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco). Talvez por isso tenha lido mais que uma vez os que tinha... Só mais tarde comecei a poder comprá-los e a poder escolher e experimentar novos escritores.
    Espero que te tenha trazido recordações das boas. :)

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  4. Aiiii, Petziiiii! Agora fiquei com o coração bem pequenino, à custa de me lembrares dos livros que tinha dele! Também li muito o triângulo jota, uma aventura, os cinco, os sete e até a colecção arrepios, como a Ana Nunes! =D

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  5. Não tenho memórias referentes aos meus primeiros livros de infância. Sei que lia os livros das minhas amigas, que tinham mais livros lá por casa que eu. Mas na minha adolescência era mesmo fã dos livros "Uma Aventura" e do "Clube das Chaves". Sempre que era possível pedia um desses pelo aniversário ou Natal. :)

    Como leituras obrigatórias no secundário tive "Sibila", de Agustina Bessa-Luís, "Os Maias", de Eça de Queirós, "Memorial do Convento", de Saramago e "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco. Foram obras que gostei imenso de ler e que na altura cada uma delas me deixou boas referências.

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  6. Os livros Uma Aventura eram mesmo incontornáveis. :)
    No secundário, que me lembre, tive de ler Os Maias, A Aparição do Vergílio Ferreira e Frei Luís de Sousa do Almeida Garret. Só não engracei muito com a Aparição...
    Sempre quis ler a Sibila, mas como a minha experiência com a Agustina Bessa-Luís foi desapontante, não consegui ler o Vale Abraão e tenho receio que a Sibila vá pelo mesmo caminho. :/

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  7. Já nem me lembrava... Também tive "A Aparição" e o "Frei Luís de Sousa". :)
    Não li "Vale de Abraão", aliás desta autora só li mesmo a Sibila e considerei um livro com uma história bastante boa.

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  8. Ola, mantenho um blog chamado "Tralhas Varias" dedicado a toda a BD velinha da nossa infancia....:)

    Com a ajuda de inumeros visitantes/colaboradores tenho conseguido partilhar milhares de livros Disney e BD europeia em formato digital...

    Estao todos convidados a visitarem: http://tralhasvarias.blogspot.com

    Obrigado e ate breve,
    Gizmo

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