julho 18, 2010

O Homem do Colorado - Stephen King

"Numa ilha ao largo da costa do Maine é encontrado o cadáver de um homem não identificado. Só o trabalho empenhado de dois jornalistas locais e de um aluno de pós-graduação em medicina forense permite apurar algumas pistas, embora se passe mais de um ano até o homem ser identificado. Mas isto é apenas o princípio do mistério. Porque quanto mais sabem acerca do homem e das circunstâncias enigmáticas da sua morte, menos a compreendem. Qual teria sido o móbil do crime?

Ninguém como Stephen King poderia contar esta história acerca da aura que rodeia o desconhecido e da nossa compulsão para investigar o inexplicável. Com ecos de Dashiell Hammett e Graham Greene, um dos maiores contadores de histórias do mundo presenteia-nos com uma narrativa emotiva e surpreendente cujo tema é nada menos do que a própria natureza do mistério..."

Dois adolescentes fazem o seu percurso diário para a escola quando encontram um homem morto, junto à água. Estamos na ilha Moose-Lookit, no estado do Maine e o homem é um forasteiro, não possui qualquer tipo de identificação e ninguém se recorda de o ter visto nos dias anteriores. Uma vez que a causa da morte terá sido asfixia, consequência de o desconhecido se ter engasgado com um pedaço de carne, as autoridades não se dedicam muito ao caso. Apenas dois jornalistas, Dave Bowie e Vince Teague, permanecem interessados na identificação do cadáver e nos porquês de este estar ali, sem carteira e sem justificação aparente para se encontrar na ilha. Dave Bowie é o director-geral do The Weekly Islander e Vince Teague é o seu único repórter e funcionário. Para além deles, apenas um estagiário de medicina forense, Paul Devane se mantém interessado no caso, sendo ele quem acaba por permitir a identificação do forasteiro, um ano e meio mais tarde.
Vinte cinco anos depois, Dave e Vince, já com uma idade avançada, contam a história do Homem do Colorado, pois foi desta forma que o desconhecido foi tratado até à sua identificação final, a Stephanie, a estagiária que acolhem na redacção do jornal local.

O livro é muito divertido, porque os dois velhotes são muito espirituosos e, é muito interessante porque fornece uma abordagem à génese do mistério e ao porquê de a opinião pública se interessar por uns casos e outros não. Vai-nos descrevendo a investigação dos dois e todos os raciocínios que fizeram, as opiniões que formaram e as conclusões a que chegaram, se é que chegaram a alguma, porque o Homem do Colorado acabou por ser identificado, mas nunca ninguém descobriu o que estava ele ali a fazer. Terá sido realmente um acidente ou o homicídio poderá ser uma hipótese? Porque estava aquele homem ali, longe de casa e sem carteira? Veio de livre vontade? Estava a fugir de alguma coisa ou de alguém? Foi apenas desanuviar, pensar na vida? Estas e muitas outras questões são levantadas e nenhuma delas tem resposta. Se tivessem deixava de ser um mistério, não era? ;)

Já li este livro do Stephen King há algum tempo. A razão para falar dele agora é porque estreou uma série intitulada Haven, baseada neste livro. Já vi o primeiro episódio e, posso dizer que tem muito pouco a ver com o livro. É estranho que tenham decidido fazer uma série, que inclui fenómenos paranormais e pessoas aparentemente amaldiçoadas, baseada no, provavelmente, único livro do Stephen King que não inclui nada dessas coisas... As adaptações cinematográficas das obras do Stephen King sempre foram para mim um mistério de tão más que conseguem ser. As excepções, de que me consigo lembrar são o The Green Mile (chorei baba e ranho), The Shawshank Redemption (5 estrelas) e o The Fog (baseado num conto também muito bom). As restantes são tão más que doem...
Bem, quanto à série, fora o pormenor de ter pouco ou nada a ver com o livro, não me parece nada de especial, mas vou ver mais um ou dois episódios para ver o que vai sair dali... :)

Este livro do Stephen King é pequenino, quase um conto a dar para o grande e, não inclui entidades do outro mundo, extraterrestres, mortes macabras e aterradoras, nem inclui escritores a passarem por bloqueios de criatividade. :) Embora não tenha nada disto, o livro é muito engraçado e acho que vale a pena ler.

Boas leituras!

10 comentários:

  1. Também gostei muito do filme The Green Mile.

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  2. Adorei o filme "The fog", foi uma surpresa aliás.
    O único livro que li do Stephen King foi o "A luz", que trata exactamente desse "cliché" do autor com bloqueios. XD
    Este livro parece interessante, e bem diferente do género normal dele.

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  3. Nada li do autor ainda, mas tenho na estante "A Luz". Depois desta tua opinião talvez o tire mais cedo da prateleira para descobrir a sua escrita. ;)

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  4. redonda: Adorei o "The Green Mile". Fico de lágrimas nos olhos só de pensar na parte em que eles executam o John Coffey... :( Nunca li o livro, por isso não faço ideia se a adaptação é boa, mas o filme vale por si.

    Ana C. Nunes: Eu vi o "The Fog" e também adorei. Achei estranho ter sido baseado num conto do Stephen King, tão más são a maioria das adaptações das obras dele... Depois li o conto e também está muito bom. O conto tem um final diferente. Pessoalmente gosto mais do do filme. :)
    Este "O Homem do Colorado" é muito diferente do que ele costuma escrever, mas é bem interessante. :)

    tonsdeazul: "A Luz" é um dos (muitos) bons livros do Stephen King. Vale a pena ler. Estou certa de que vais gostar. :)

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  5. Estava procurando mais detalhes sobre "The Colorado Kid" e cheguei ao seu texto... Mas fiquei com uma dúvida: onde você comprou esse livro? Já procurei em todos os sebos e livrarias on line e não encontro em lugar nenhum.
    E essa imagem que você usou, só está disponível em apenas mais duas páginas e nenhuma delas soube informar.
    Adoraria se pudesse me ajudar.
    Beijos! :D

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    1. Não fazia ideia que o livro fosse tão difícil de encontrar. A verdade é que não me lembro onde o comprei, mas olhando para ele, está praticamente novo e sem preços escritos a lápis, não me parece que o tenha trazido de uma feira de rua. Esta edição é da Temas & Debates, que na altura julgo fazia parte do grupo Bertrand mas, como faço muito poucas compras nas Bertrand acho que me lembraria de ter comprado este lá. Se tivesse que dar uma resposta, tenho ideia de ter tropeçado nele na FNAC, mas não tenho a certeza...

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    2. Obrigado querida :)
      Ainda estou atrás dele, mas agora acho que sei o caminho...

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  6. No site www.baixelivro.org vc encontra a versão digital dele.

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  7. É mesmo muito difícil encontrar, se nalgum dia estiver a fim de vender, sai bem rápido. Eu mesmo compro.

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  8. Normalmente não gosto de adaptações cinematográficas. Normalmente não gosto de adaptações cinematográficas dos livros de King. Dito isto, não posso concordar que Haven não tem que ver com o The Colorado Kid. Vou explicar porquê:

    1. Os "problemas" que aparecem na série são um meio - não são o essencial, ou seja, são tão importantes como, por exemplo, os milagres na vida de Jesus: não são nada importantes, não são nada decisivos, justamente porque, como o próprio Jesus diz, milagres também os demónios fazem... ou seja, é importante perceber que os "problemas", por muito espectaculares que sejam, são absolutamente irrelevantes.

    2. São irrelevantes mais ou menos, porque não são o mesmo que nada. São o meio de apontar para algo na televisão, algo para o qual King aponta no livro. O meio em si - que no livro se fica apenas por um caso específico e menos espalhafatoso que é o corpo do rapaz, e que na série são um conjunto muito maior de fenómenos - é irrelevante no sentido em que se poderia usar outro meio qualquer.

    3. Concordo que o "espalhafatoso" dos milagres e tal serve para atrair as massas... e serve também para algumas pessoas se afastarem imediatamente da série sem tentar perceber que profundidade está ali envolvida...

    4. Não estou aqui a falar do valor desta série, "Haven", por si mesma, que tem episódios que trazem à colacção uma tradição filosófica de milhares de anos, que põem em causa a noção tradicional, moderna, de consciência, que estudam o sentido de "identidade pessoal", e o que é ser si mesmo, para além de fazerem um resumo das reticências que a pós-modernidade pôs aos conceitos de transparência da consciência, ou da homogeneidade do Eu, etc... porque é impressionante como se consegue "estudar" temas tão complexos em episódios que mantêm a capacidade de atrair o público; aqui eu estou a falar daquilo que a série mantém, no essencial, do livro de King e isso é, justamente, a discussão da noção de evidência... e isto é, evidentemente, uma discussão muito complexa, que não vou aqui explanar, mas que King sabe trabalhar com mestria e que a série foi buscar lá;

    5. Isto é: o "espalhafato" dos "problemas" e afins na série é o mesmo que o corpo do rapaz no livro, em ambos os casos é o mesmo que está em causa; tal como se hoje era para acontecer naturalmente um tsunami, e Deus interveio, milagrosamente, para o evitar, alterando uma situação no meio do oceano e com isso salvando milhares de pessoas, ninguém se apercebeu ou aperceberá disso, e ninguém dará por esse milagre, embora as leis da natureza tenham sido violadas; mas se um simples homem consegue curar com cuspo um cego no meio de uma praça cheia de gente, será admirado... Mas, evidentemente, o essencial, permanece o mesmo...

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