janeiro 13, 2011

As 3 Vidas - João Tordo

"Que segredos rodeiam a vida de António Augusto Millhouse Pascal, um velho senhor que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e um rol de clientes tão abastados e influentes como perigosos e loucos? São estes mistérios que o narrador - um rapaz de família modesta - procurará desvendar durante mais de um quarto de século, não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por aquela estranha personagem se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida.
Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - e cruzando a história sangrenta do século XX com a das personagens, As Três Vidas é, simultaneamente, uma viagem de autodescoberta através do "outro" e a história da paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal, e do destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do avô, inexoravelmente ligado à sorte de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da corda bamba em que se sustém."

Este livro é das melhores coisas que li nos últimos tempos! É o que me ocorre dizer agora que cheguei ao fim, não sem alguma pena por ter de o fechar e largar. João Tordo entrou, definitivamente no meu coraçãozinho de leitora e hei-de devorar tudo o que escreveu e escreverá. Muito, muito bom!
As leituras deste início de ano estão a ser tão boas, que até tenho medo de pegar no próximo... :) Só posso desejar que assim continue e que sejam sintomas de um ano cheio de boas descobertas literárias, mas não só, entenda-se.

Quanto ao livro o que será que posso dizer sobre ele? Bem, primeiro a história é fantástica e as personagens idem idem, aspas aspas. João Tordo consegue fazer-nos sentir medo, apreensão e desperta-nos de tal maneira a curiosidade e o interesse, que largar o livro é difícil. Para onde é que a história vai levar o narrador, de quem nunca sabemos o nome? Quem é Millhouse Pascal, e porque é que é procurado por homens tão perigosos e perturbados na sua Quinta do Tempo, uma propriedade perdida no Alentejo dos anos oitenta? Que papel teve Millhouse na história sangrenta do século XX? Quem é Artur, o jardineiro que raramente vemos a jardinar, e fiel empregado de Millhouse? Conseguirá o jovem sem nome, o rapaz que nunca cresceu, alcançar Camila do alto da sua corda bamba? Conseguirá alguma vez viver sem ela, esquecê-la e aos acontecimentos que marcaram a sua passagem pela Quinta do Tempo?
Perguntas e mais perguntas, mistérios e mais mistérios e uma imaginação ilimitada preenchem as páginas deste livro. Dizer mais seria redutor e, por isso fico-me por aqui, porque há livros assim, difíceis de explicar.

Recomendadíssimo! :)

"Foram horas longas. Assim que chegámos à estrada, Artur ligou o rádio, e a voz do locutor, intercalada com música, foi o único som que ouvimos durante grande parte do caminho. A certa altura o jardineiro começou a assobiar, acompanhando uma canção. Olhando o seu perfil, agarrado ao volante, de mãos longas e venosas, queixo proeminente e olhos vítreos, perguntei-me quantas vezes teria ele feito aquela mesma viagem. Tive, de repente, a terrível certeza de que Artur lidava frequentemente com a morte."

Nota: Este foi um dos dois livros ( o outro é a próxima leitura) que trouxe da Biblioteca e agora estava aqui a pensar que não o quero devolver... :/ Será que o posso "perder"? ;)

5 comentários:

  1. Ainda não li nada do autor, mas já ando atrás deste livro faz algum tempo... Tenho de o trazer para casa numa próxima ida à Bertrand. aproveitando assim o vale de desconto deles. ;)

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  2. tonsdeazul: Faz isso porque vale a pena. Não estava à espera de gostar tanto. :)

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  3. adorei o livro! só consegui descolar-me dele no final. excelente!

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  4. É caricato, mas eu achei deveras aborrecido.

    E li-o por dois motivos.

    Primeiro, porque quase todos os outros livros de ficação decepcionaram-me... Ao acabar, a minha impressão foi que os respectivos autores não tinham previamente nada em mente quando começaram a escrever esses livros...

    E algum tempo depois, quando comecei a frequentar fóruns de 'Livros e autores', ouvi alguns autores dizerem que não constróiem previamente um enredo... Sentam-se, e começam a escrever à deriva...

    Porém, durante algum tempo, pensei que isto fosse um procedimento de escritores de segundo plano.

    Mas numa entrevista na televisão, e sobre esse livro vencedor do Prémio Saramago, o próprio João Tordo também disse que quando começou a escrever 'As três vidas', também só sabia o que ia dizer durante as primeiras 20 páginas...

    Então, fiquei curiosa se ficou como os outros livros, ou se mesmo 'de improviso', ele teria sido capaz de construir uma história inteligente ou interessante.

    Mas o livro é praticamente igual a todos os outros.

    A única diferença é que a cada 40 páginas, ele dá a ideia que vai acontecer alguma coisa (por meio de frases do género 'Mas se eu soubesse o que ia acontecer, tinha recuado'); mas não acontece absolutamente nada.

    Foi quase uma perda de tempo e dinheiro.

    De qualquer modo, eu li este livro, para fazer um trabalho para a disciplina de 'Literatura Portuguesa Contemporânea".

    E agora, custa-me dizer coisas bastante diferentes do que eu realmente achei...

    (Mas ainda vou falar com a professora, a perguntar se posso dar a minha opinião sobre o livro.)

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  5. Não admira que muitos estudantes de línguas e literaturas modernas... dêem pouco mais que sofríveis professores...

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